terça-feira, 4 de novembro de 2014

Vida e morte no ensino do Nazareno


Leitura: Mateus 22

No período em que Jesus viveu, aquilo que chamamos de judaísmo era marcado por diversos grupos diferentes e até rivais tanto nas questões políticas quanto teológicas, por isso é improprio falarmos de um pensamento judaico, sendo correto falar dos pensamentos judaicos.

Quando buscamos o que Jesus ensina temos um trabalho árduo e muitas vezes impossível pela frente, pois os escritos possuem muitas fontes, e sabendo da diversidade de pensamentos presentes na época, sabemos das possíveis diversas interpretações que as pessoas e as comunidades tiveram do ensino dele.

Assim só é possível falarmos do ensino de Jesus sempre com cautela e criticidade, se valendo das melhores análises exegéticas, hermenêuticas, históricas, e claro para os que creem da chave hermenêutica do amor.

Quanto ao tema vida e morte, sabemos que desde o período do exílio na Babilônia que o povo judaico sofreu bastante a influência do Zoroastrismo, religião persa, e posteriormente do sincretismo grego. Portanto a nova religião judaica possuía vários elementos que não estavam presentes em sua primitividade.

Muitas correntes acreditavam na vida após a morte, numa luta cósmica entre o bem e mal, no fim do mundo, na ressurreição dos mortos, no juízo e no paraíso.
Quais foram as influências de Jesus é impossível sabermos a não ser por aproximação de temas. Porém como o ensino do Nazareno tinha uma temática extremamente ligada a vida enquanto existência, crenças metafisicas, transcendentais são mais difíceis de definir em seu ensino.

É justamente o caso da vida após a morte. Para mim fica claro, a crença dele nisso, porém não me parece que sua preocupação era ensinar tal doutrina, mas falar de vida e morte como potência e fim da mesma. Ou seja até nesse tema, o ensino do Nazareno se aproxima da existência, daquilo que nos diz respeito aqui e agora. No texto sugerido a primeira parábola trata-se de um convite do Rei para as bodas do Filho, e não encontro na mesma nenhuma referência para pensarmos em algo além túmulo, antes Jesus mesmo diz trata-se de uma parábola sobre o Reino, e para ele o Reino não era uma vida além mas um modo de viver. Assim o convite trata de uma escolha que devemos fazer aqui e agora. Depois vem a questão do tributo a César que já expliquei num texto anterior, e de novo a questão é de Reino, o Reino de Deus não deve nada a César e o de César não tem nada de Deus, assim cabe a cada um uma escolha.

Aí sim chega a questão da ressurreição. Os interlocutores trazem a questão e o texto nos afirma que não acreditavam na mesma, logo a questão parecia ser para zombar de uma possível crença de Jesus. Apontam para o que consideram ridículo numa crença de vida após a morte. Jesus então responde que o primeiro problema do comportamento dos seus interlocutores era a ignorância.

São os ignorantes que zombam do que não sabem. Que menosprezam o que não entendem, e que interpretam de maneira infantil e estúpida metáforas sobre a realidade.

Jesus ensina que a vida após a morte não é uma continuação da existência sob o domínio das baixas paixões, dos egoísmos ou das necessidades. Aqui ele se diferencia completamente da visão comum que esperavam continuar a existir para sempre. Aponta que ressurreição tem a ver com eternidade e não com continuidade. E que portanto Deus não seria Deus de mortos que voltariam a vida, mas de vivos que a morte não mata.

Assim ouso afirmar que para Jesus o mais importante não se tratava do retorno de um corpo, ou da continuidade pós morte, mas da vida e da dinâmica da mesma. Pois para Ele viver era possuir o próprio Deus, ser cidadão do Reino, onde a própria a morte havia sido significada com a Vida.

Vida e morte portanto no ensino de Jesus trata-se de condições do espírito, e não necessariamente de realidades metafisicas. Por isso que logo diz que tudo se resume no Amor, pois Nele a morte e a vida são a mesma coisa, visto ser o mesmo Eterno.

Por isso ele mesmo se coloca no final texto como superior a Davi, que já havia morrido, dizendo-se Senhor deste, pois ele o Filho era alguém que possuía a Vida e a morte jamais a tragaria.

O convite dele é para o seguirmos e deixar os mortos sepultar os seus mortos (Mateus 8:22). É para seguirmos sem mesmo dos matam o corpo mas não podem matar a alma (Mateus 10:28). Sabendo que aqueles que creem na Vida, nunca morrem ainda que estejam mortos (João 11;25)

E você está Vivo?

Ivo Fernandes

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