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Mostrando postagens de Junho, 2015

Da eternidade da mente ou da salvação da alma

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A primeira coisa a ser dita diante desse tema é que não se pode falar de salvação se essa revela-se como negação da vida ou do mundo. Toda salvação além-mundo não é salvação da alma, pois só podemos avançar na reflexão sobre o assunto se não negarmos o sentido de existir. Salvação é, pois, sempre uma salvação da vida na vida, da alma na existência e para além dela. O contrário disso é má religião.
Só conseguimos alcançar a reflexão sobre a eternidade da mente pela fé, pois escapa aos meros sentidos, e da razão por mais sofisticada que essa seja. Pois tal saber só é produzido pelo mais potente afeto. Por isso os salvos já passaram da morte para a vida frente a força desse afeto.
Para entendermos melhor esse tema é importante diferenciar imortalidade de eternidade. A ideia de imortalidade, está ligada à duração, portanto só é entendida no tempo. Trata-se do desejo do ser em persistir na existência. Mas a eternidade não é uma duração pois não é regida pelo tempo. Logo o que é eterno é atem…

Da liberdade humana

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Só é livre aquele que tem poder sobre seus afetos, e esse poder é mérito dos sábios, ou daqueles que se utilizam da razão e chegaram a fé e por meio deles regulam e ou refreiam seus afetos, mesmo que limitadamente, visto sabermos que domínio absoluto sobre os afetos é uma impossibilidade humana, baseado na experiência.
Sabemos que por meio da ordenação dos pensamentos, ordenamos as afecções do corpo. Assim é preciso separar emoções do ânimo de causas imaginárias, destruindo assim afetos tristes. As paixões tristes só podem ser vencidas através das ideias claras e distintas das mesmas e de suas causas. O corpo sofrerá menos a medida que mente reconhecer mais, mesmo que esse mais não seja a plenitude desse saber.
Devemos, pois no dedicar, sobretudo, à tarefa de conhecer tanto quanto possível, clara e distintamente, cada afeto, para que a mente, seja assim determinada em virtude do afeto pelas causas verdadeiras.
Atitudes assim destroem ódios e similares. Tudo que desejamos oriundo de ide…

O que é o homem?

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O homem é um ser não necessário.
Mas sua existência envolve os atributos divinos pensamento e extensão, pois possui um corpo e uma mente. E aqui é bom que se diga que o corpo do homem procede do atributo divino extensão e a mente do homem do atributo pensamento, mas assim como em Deus os atributos não significam nenhuma divisão, assim podemos dizer que o corpo do homem não pode ser pensando alheio a mente e vice e versa. Deus é a causa do ser do homem, e só Nele existe.
O homem é dotado de corpo e alma, mas trata-se apenas de um indivíduo. Não há mente sem corpo, e não há consciência de corpo sem mente. E nessa relação mora a limitação do homem, pois a mente conhece pelo afeto, e à medida que conhece, imagina. É do desconhecimento do corpo que a mente dá a si mesmo significados imaginários. Por exemplo, pensemos na liberdade. O homem imagina-se livre por desconhecer as causas que determinam suas ações. Desconhece a vontade do corpo, mutila pela moral, nega pela religião e assim cria c…

A servidão humana ou a força dos afetos

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“Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo …