terça-feira, 11 de outubro de 2016

O bem e mal no ensino de Jesus


Leitura Inicial Recomendada:

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” Mateus 6:34
“E não nos conduzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém.” Mateus 6:13

O Século XX é considerado um dos séculos mais sangrentos da história da humanidade. Somente na segunda guerra mundial cerca de 60 milhões de pessoas morreram, incluindo cerca de 20 milhões de soldados e 40 milhões de civis. 5,6 a 6.1 milhões de judeus foram executados ou mortos como prisioneiros de guerra nos campos de concentração.

Também no século XX que presenciamos o genocídio brutal dos Tutsis em Ruanda. Mais de 500.000 pessoas foram massacradas. Quase todas as mulheres foram estupradas. Muitos dos 5.000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados. No mesmo continente africano, de 1948 a 1994, a África do Sul viveu sob o regime de segregação racial, conhecido como Apartheid, onde uma minoria branca e cristã sobrepujou os direitos de cidadania e a liberdade de uma maioria negra, promovendo um dos fenômenos sociais mais violentos vistos no século XX.

Tudo isso nos leva a pensar a questão do mal, o que já fizemos em outras oportunidades que podem ser vistos aqui:



A questão do mal sempre ocupou um lugar de grande destaque na teologia e na filosofia, trata-se de um tema complexo.

No campo filosófico, Epicuro (341 a.C., Samos — 271 ou 270 a.C., Atenas) já alertava para o grande dilema:

“Ou Deus quer tirar o mal do mundo, mas não pode; ou pode, mas não quer tirá-lo; ou não pode nem quer; ou pode e quer. Se quer e não pode, é impotente; se pode e não quer, não nos ama; senão quer nem pode, não é o Deus bom, e, além do mais, é impotente; se pode e quer – e esta é a única alternativa que, como Deus, lhe diz respeito – de onde vem, então, o mal real e por que não o elimina de uma vez por todas?”

No campo teológico essa questão ganha sua resposta primeiramente com Santo Agostinho na sua formulação da doutrina do pecado original. Assim ele retira de Deus a culpa pelo mal. Deus não pode ser considerado responsável pelo mal, nem por sua origem, nem por sua conservação, a não ser por “permissão” para proteger a liberdade humana.

O fato é que o mal existe, se podemos discutir a realidade do mal metafísico não podemos negar o mal físico e moral, ou seja o mal é um problema humano que nos afeta a todos. Somos seres finitos e a finitude implica imperfeição, e o que sofre de imperfeição é passível do mal, pois está em processo de construção. Porém a finitude não é o mal. É tão somente sua condição de possibilidade: condição que torna inevitável sua aparição. E por que, então, Deus criaria um mundo onde a possibilidade do mal seria inevitável? Se Deus cria, não pode criar-se a si próprio: tem de criar um mundo finito. Mas, se o mundo é finito, comporta necessariamente o mal.

E como Jesus vê essa questão?

Não há nos relatos dos evangelhos nenhuma teologia ou filosofia sistemática proposta por Cristo. Ou seja, ele não se detém na explicação do mal, apenas assume sua realidade e a partir daí desenvolve uma práxis pregando aos que sofrem, socorrendo os feridos e consolando os pobres e marginalizados. A sua mensagem tinha como ponto fundamental uma nova imagem de Deus, o Abbá. Não explicou o mal, mas o experimentou e o combateu. E estimula a fé em Deus apesar do mal. Não se trata de uma questão de onipotência ou soberania, e sim de amor. Ter fé no amor de Deus. Essa nova perspectiva faz toda a diferença: crer que Deus cria por amor e que por isso toda a sua força está sendo aplicada em ajudar na luta contra o mal, contra tudo aquilo que fere, oprime e distorce.

Com isso Jesus nos ensina não sobre origem do mal, mas como combate-lo. Nos leva assumir uma postura que contrarie as estruturas sociais dominadas pela maldade, todas as formas de opressão e descaso para com o humano.

O que sei é que o mal é ambíguo, portanto, não cabem rotulações e simplificações, sejam elas, religiosas, filosóficas ou políticas. Por outro lado, gastar tempo nas explicações do mal não irá nos ajudar. É preciso seguir as orientações apostólicas que compreenderam o espírito de Cristo ao nos aconselhar o que segue:

Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. Romanos 12:21
A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. Romanos 12:17
Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos. 1 Tessalonicenses 5:15
O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. Romanos 13:10
Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus. 3 João 1:11
Porque melhor é que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal. 1 Pedro 3:17
Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção.1 Pedro 3:9
Aparte-se do mal, e faça o bem; Busque a paz, e siga-a.1 Pedro 3:11

Ivo Fernandes

11 de outubro de 2016

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Os dois caminhos


Leitura recomendada: Mt 7. 13.29

Dois caminhos, talvez o termo mais conhecido entre os cristãos. Desde a meninice que somos apresentados os caminhos da perdição e da salvação, do céu e do inferno, do bem e do mal. O problema é que a maneira com que a religião cristã em sua versão ortodoxa fundamentalista nos apresenta esse tema não correspondem ao ensino simples e profundo de Jesus.

Em geral o ensino religioso cristão ainda está atrelado a contrapor vida católica-evangélica, tida como vida santa, o caminho certo, e a vida mundana (ou a não religiosa) vista como o caminho errado. Assim quem segue a cultura da igreja seguirá para o céu, porém quem segue a cultura de fora da igreja irá para o inferno. E a coisa no decorrer dos anos só piorou pois a cultura da igreja ficou cada vez mais pobre e a do mundo cada vez mais atraente. Assim o passaporte para o céu era a estar condenado a uma vida sem graça, sem prazer, sem alegria. E o inferno passou a ser sedutor por reunir tudo de bom que poderíamos desejar, fazendo com que boa parte dos jovens começassem a reproduzir a frase: prefiro o inferno, lá estarão meus amigos.

Mas apesar da perversão do ensino que a religião fez do tema dos dois caminhos, ele é um tema do Evangelho. Jesus anunciou dois caminhos, um que começa por uma porta estreita e que conduz a salvação e outro que começa com a porta larga e nos conduz a perdição.

O tema dos caminhos está atrelado a denúncia dos falsos profetas, esses tais são os que apregoam um caminho largo, fácil, mas engana-se que atrelado a prazeres normais da vida, a facilidade desse falso caminho não se refere a uma vida feliz mas ao anúncio de fórmulas fáceis e infalíveis para uma vida bem-sucedida, em troca basta a submissão dos adeptos ao controle de tais profetas. O caminho largo é o caminho da barganha com Deus incentivado por líderes carismáticos mas sem caráter, líderes que exploram as emoções e a economia do povo. É um caminho onde a obediência a Deus é trocada pela obediência aos falsos profetas e suas formulas mágicas.

Ao contrário, o caminho da salvação começa com a Porta é estreita mas leva para o caminho do amor. E por que é estreita? Porque não há nada que os nossos instintos mais aborreçam do que o amor. Sim! O amor tudo sofre. E quem gosta de ser abusado? Tudo Suporta. E Quem aceita ser provocado? Tudo perdoa. E quem está disposto a perdoar sempre? O Caminho é Estreito porque tudo se concentra numa só coisa: amar.

Não cabem nesse caminho justiça própria, orgulho, desejos de poder, juízos ou qualquer mal contra quem quer que seja.

O caminho estreito é o caminho da cruz; é o caminho dos que choram; é o caminho dos buscam a justiça; é o caminho da bondade; e entrar pela porta estreita requer empenho, esforço, enquanto que o caminho largo é o caminho da prosperidade fácil; o caminho da ilusão; o caminho da mentira.

Quem prefere a dureza da realidade a tranquilidade de uma ilusão? Quem prefere o Evangelho aos mestres da auto-ajuda? Quem prefere a fé as crendices?

O caminho de Cristo é da porta estreita e o Caminho do anticristo é largo.

Escolha hoje que caminho seguirá.

Ivo Fernandes

25 de setembro de 16

A justificação pela fé – uma exposição no Caminho

Leitura:  Romanos capítulos 1 a 3 A doutrina da justificação pela fé é um dos principais pilares da fé cristã, em especial a prote...