Como caíram os valentes!


O título desse texto é o lamento de Davi pela morte de Saul e Jônatas no campo de batalha. A história dos judeus Deus não é apenas uma história de glória, mas é também uma feia novela de relacionamentos quebrados, infidelidade, ambição, orgulho, política de força e atos imorais e consequentemente de queda dos valentes.

Essa semana entre os vários acontecimentos que envolvem a corrupção em nosso país, duas cenas me chamam a atenção, a prisão de Garotinho e de Sérgio Cabral. A razão pela qual destaco essas duas histórias é porque os dois foram figuras que despontaram no cenário político brasileiro como ícone de moralidade e que acabaram preso acusados de diversos crimes. A cena da prisão de ambos ficará para nossa história política e a de Garotinho com cenas deprimentes.

Como caíram os valentes!

Há mais de 10 anos vivi bem de perto a queda de um valente. Um jovem pastor que me convidara a pastorear sua igreja e que aceitei por ter me encantando com tudo que vi ali. Um homem carismático, eloquente, que tinha um crescente número de adeptos apaixonados por ele e completamente obedientes. Pois bem, vi esse homem ruindo até o seu assassinato na frente de sua família e de sua comunidade religiosa.

Como caíram os valentes!

Mas porque caíram? 

Penso que entre as muitas causas que levam os valentes caírem uma das principais é a sensação de onipotência que vai tomando a mente na medida em que vão conseguindo tudo que querem e nada parece os impedi-los e associado a isso uma impressão de se estar além do bem e do mal se instala no ser. É o que podemos chamar de síndrome de onipotência, que atinge com frequência políticos, empresários, autoridades religiosas, mafiosos, pessoas geniais, vencedores.

Essa síndrome tem sua gênese no relato bíblico do Édem, quando o homem desejou “ser como Deus”. Mesmo sabendo que era contra a ordem de Deus o homem preferiu obter o que desejava. A sedução do poder, do prazer e do ter foi maior que a obediência. "E vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela." (Gn 3.6.).

E como se evita tal desejo, ou como se impede que tal desejo nos destruam?

Ironicamente a única cura para esse mal da onipotência nos é dada pelo único de fato Poderoso. Transcrevo aqui o entendimento do apóstolo Paulo sobre o caminho da cura, e o único caminho de evitar a queda dos valentes.


Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões,
Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo; Retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão.
E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós. E vós também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo.
Filipenses 2:1-18

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