terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A questão do sofrimento



Nenhum desafio é maior a nossa maturidade do que revisitar o que não se pode mudar, e ainda sim continuar a caminhada da vida. Um passado que não pode ser mudado, um amor que não pode ser restaurado, uma doença incurável. Respirar bem fundo para prosseguir. Retirar forças de onde não há, reter esperanças que já não mais possui, tais coisas, de fato, realizadas são a prova da nossa força em meio a fraqueza, do nosso espírito, da nossa fé.

É difícil, mas me parece incontestável que é na dor que nos tornamos homens. A alma é forjada no sofrimento, na angústia, na perda. Com isso não ignoro as lições advinda da alegria, do gozo, do prazer, mas não conheço ninguém que possa ser chamado de espírito evoluído que não tenha sido nos desertos que tornara-se.

Talvez nosso maior exemplo seja o do próprio Nazareno, também chamado o Sofredor. Nos seus ensinos fica claro o valor do sofrimento no discipulado. No entanto, não se trata de um desejo por sofrer como interpretaram alguns mártires do passado, mas de uma lição de superação e crescimento. O sofrimento não passará enquanto não for suportado. É na aceitação da cruz que a agonia do Getsêmani passa.

O Deus de Jesus também é um Deus sofredor. O deus onipotente dos ‘gregos’ não responde a questão do sofrimento. Esse deus perfeito,imutável, exaltado, indiferente e fechado em si mesmo, em nada se parece com o Deus de Jesus que assume riscos por amor.

A fé cristã revela um rosto diferente de Deus. Revela um Deus crucificado. E crucificado pelo amor. O amor é sofredor e nossa esperança está no amor que sofre e passa pela morte sem por ela ser destruído, abrindo o futuro da esperança e da vida a todos os crucificados da história.

Na cruz de Jesus o mundo com toda sua dor foi assumido em Deus. Logo o deus vingador e castigador, guerreiro, não é o mesmo Deus da cruz. O crucificado desarmou Deus, jogou por terra todos os deuses poderosos instalados em seus tronos. A projeção das frustrações humanas na onipotência divina é desmascarada, revelando-se como aquilo que na verdade é: projeção da própria vontade humana de poder.

Assim, este Deus que sofre ensina ao sofredor o caminho da vida, o caminho da cruz que nos leva ao sepulcro vazio e a manhã de domingo.

Ivo Fernandes
24 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Silas Malafaia e minha opinião a respeito



Faz tempo que não escrevo nada sobre o mundo evangélico. De fato, já pacifiquei meu coração com a certeza de que não milito pelas mesmas causas e nem compreendo o mundo da mesma forma que os militantes desse movimento.

Conheço muitos evangélicos, gente boa de Deus, e por respeito a eles abandonei certos temas que alguns insistem o tempo todo em tratar. Deus é Senhor de todos os homens, também dos evangélicos.

Mas ontem acabei por assistir a entrevista do Silas Malafaia (não tenho condições de chamá-lo de pastor em respeito aos pastores gente boa de Deus do meu país) à Marília Gabriela, e o que vi foi um representante desse movimento deixando claro o quanto se perderam no processo e se transformaram em outra coisa que nem de longe se parece mais com o Evangelho de Jesus de Nazaré.

Tudo que ele defendeu é contra o bem, começando pela teologia da prosperidade que é uma clara blasfêmia contra o Evangelho. E a explicação do seu enriquecimento e de tantos outros líderes religiosos só convence quem já perdeu completamente o senso crítico.

O que vi foi muita mentira travestida de verdade. O que vi foi claro preconceito e ódio travestido de defesa de ideais e da família. O que vi foi ignorância travestida de inteligência.

Aí fico me perguntando por onde anda o bom senso do povo que faz de homens como esse seus referenciais? Que espécie de cegueira é essa que não vê o óbvio? Tudo que esse homem disse é um afronta a sobriedade e a inteligência humana.

Apesar da entrevista não ter sido bem conduzida, e acho que nem poderia com um homem que esbraveja o tempo todo, foi na pessoa da entrevistadora onde algo do Evangelho mais se manifestou. Desde sua clara revolta com as afirmações do suposto pastor, até sua última afirmação, em que reconhece que o deus do Malafaia não é o deus da maioria do povo de bem do nosso país, e pede que ele o perdoe.

Por várias vezes Marília faz menção de serem heréticas as afirmações do religioso. Mas ele sem se importar continuava a fazer uso das escrituras da maneira mais absurda possível, como por exemplo, quando ele afirma a tal da lei da recompensa para justificar o seu enriquecimento e sua pregação constante exigindo dinheiro dos fiéis.

O deus deste senhor é o dinheiro e só não vê quem não quer. Se fosse evangélico teria tido vergonha naquela noite.

Minha esperança é que alguns ainda acordem do sono da ignorância. Que alguns ainda voltem para o Evangelho, enquanto ainda é possível. E aos que aplaudem este homem ou concordam com o que ele advoga, eu só posso lamentar. Estão pisando o sangue da nova aliança, e desfazendo da cruz de Cristo.

Que o bom Deus tenha misericórdia de todos nós,

Ídolos – da construção à necessidade de destruí-los

O termo ídolo não é um termo usado em nossa nação comumente. Aparece mais nos discursos evangélicos numa referência a qualquer entidad...