quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sexualidade e Evangelho



Um dos temas mais perturbadores para a religião cristã é a questão da sexualidade.  Entretanto, não deixa de ser uma surpresa o fato de constatarmos que este tema ocupa um lugar bastante secundário nos Evangelhos. Qualquer exegeta sério sabe que o Novo Testamento não oferece um ensino completo e sistemático sobre esse assunto, no entanto a religião cristã atribui à sexualidade um caráter privilegiado no encontro com Deus.

Temas tão discutidos como a masturbação, homossexualidade, relações pré-conjugais não possuem muita referência explicita nos Evangelhos, e, no entanto atormentam a consciência de muitos cristãos. Talvez isso explique o porquê que a religião cristã é mais paulina (o que para mim, se constitui também numa leitura equivocada de Paulo) do que cristã, nesse sentido.

Nos Evangelhos, Jesus não se apresenta como inimigo do corpo, pregando sacrifícios ou privações. Ele mesmo não foi um asceta, nem um essênio. Possuía uma vida tão comum que é acusado de comilão e beberrão (Mt 11.19).

Os comportamentos sexuais concretos não são objeto de preocupação do Evangelho, mas sim as estruturas básicas por meio das quais a sexualidade se desenvolve e produz as maiores alienações, entre elas a figura da família que será dessacralizada por Cristo inaugurando um novo modo de filiação – os laços do espírito (Mc 3.31-35; Mt 10.37;12.46-50; Lc 8.19-21;11.27;14.26), a figura do pai que será superado, num chamado a torna-se adulto na dedicação ao reino (Mt 23.8-11), e a imagem da mulher restaurada em igualdade de condições e direitos (Mt 19.1-12;28.7;Lc 8.43-48; Jo 4.39; ).

Não encontramos um código sexual na mensagem de Jesus, mas um chamado a liberdade governada pelo amor. Deste modo, a questão dos comportamentos sexuais específicos é deixada em nossas mãos como pessoas adultas que, pelo discernimento da fé, são guiadas em tudo pelo amor. Sem amor tudo que se fizer é pecado, inclusive deixar de fazer.

O Deus obcecado por comportamentos sexuais com certeza não é o Deus de Jesus.

Ivo Fernandes
25 de março de 2009

2 comentários:

Lu Rodrigues disse...

Ivo, descobrir o que você expõe tão claramente aqui, me foi um susto!
Um susto causado pela simplicidade das verdades eternas que me pareceram tão contraditórias por um bom tempo, e isso por causa da ótica paulina-evangélica...
Tantos erros e dores seriam extintos se as pessoas pudessem entender assim logo de cara, não é? rs...

Antônio Augusto Zoppi disse...

Ola
Deus criou o Homem e a Mulher, macho e femea, criou com sexo. Tudo que Ele Fez é bom. (veja em Genisis).
Sexo não é pecado.
A imundice, a perversidade são pecados.
Hoje temos mais problemas de cultura.

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