quinta-feira, 31 de março de 2016

Cristo nossa páscoa e esperança


Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu. Hebreus 10:23

A palavra esperança esta geralmente associada a crença na possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal. Porém alguns estudiosos do comportamento político e humano, veem nela também algo perigoso, ou simplesmente arma de controle social. 

Nietzsche considerou a esperança o derradeiro mal; o pior dos males, porquanto prolongava o tormento. Espinosa considera uma paixão triste típica dos escravos que esperam recompensas pela sua boa conduta.

No filme Jogo Vorazes o Presidente Snow, líder tirando disse: “Esperança é a única coisa mais forte que o medo. Um pouco de esperança é eficaz, muita esperança é perigoso. Faíscas são boas enquanto são contidas. ” Assim a esperança era vista como arma política.

Porém, apesar destas análises, a esperança permanece o alento de milhares de homens. Na história ela moveu os homens. Por sua causa, na Páscoa, os judeus se cumprimentaram em guetos imundos: “No próximo ano, em Jerusalém”. Inspirados na esperança, escravos negros cantaram nos velórios: “Finalmente Livre!”. Mesmo tendo um caráter de incertezas é por meio dela que atos heroicos são realizados. Animado pelo impossível, os homens cheios de esperanças fazem mudanças concretas.

Nas Escrituras a Esperança ora se associa a fé ora se faz como antecessora a esta. Esperança não nasce de certezas. Nas Escrituras, lê-se que a esperança que se vê não é esperança. Quem espera por aquilo que está vendo?(Romanos 8.24).

Enquanto arma de controle ela vive de superstições, mas como potência ela não procura construir castelos nas nuvens, mas produz valentia e poesia. Logo quando falamos de esperança não estamos falando de qualquer esperança. A verdadeira esperança sempre abre espaço para a fé que é capaz de contrariar toda lógica.  Kierkegaard disse “Você não deveria falar de fé, diria ele, a menos que estivesse preparado para erguer, como Abraão, a faca sobre o corpo do seu filho.” O paradoxo, aqui, é que em meio a toda falta de esperança, a fé pode nascer no indivíduo e fazer com que ele se jogue nos braços Daquele que pode ser o sentido de tudo. Kierkegaard denomina isso de salto de fé.

É impossível achegar-nos a esperança com as categorias do pensamento objetivo, empírico e problemático. Pois a esperança possuí raízes em alguma parte de nosso ser que ainda não foi tocado pela experiência. A esperança funda-se no invisível. Assim não “esperamos que” nem mesmo em “espero um” mas a verdadeira esperança é a “esperança em”.

Esperar é permanecer fiel, no meio das trevas, pois a esperança pressupõe dar crédito a Deus. E aqui entra o sentido da páscoa cristã, o sentido de dizermos que Cristo é a nossa páscoa. Pois Nele estamos e nele esperamos, não como amuletos de sorte que nos trarão alívio de dores específicas mas firmados nele, em sua morte e ressurreição também superamos a nossa morte e vivemos uma vida ressurreta.

Ivo Fernandes

20 de março de 2016

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