segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Retorno ao Essencial


No Caminho temos sido desfiados a voltar ao essencial, a ler novamente os evangelhos e a principalmente termos Jesus como a chave hermenêutica para a interpretação de tudo, inclusive das escrituras।


Esse retorno tem sérias implicações, até porque para a grande maioria dos cristãos não é um retorno, mas uma primeira e emocionante viagem. Eu fiz e estou fazendo meu caminho no Caminho e sinto a radicalidade do chamado de Jesus.

Acontece que tal chamado implica no abandono das redes da nossa vida-cultura। No nosso caso cristão-ocidental significa o abandono ou no mínimo a releitura da nossa cultura cristã, do nosso cristianismo।


Todos sabemos que nossa cultura e doutrinas cristãs são frutos dos encontros entre a fé judaica, a cultura grega e o império romano. O retorno ao essencial requer a difícil tarefa do abandono das redes cristãs.

Uma das primeiras coisas que precisamos abandonar é nosso conceito de revelação, que vê Deus limitado a um acontecimento, a um povo, a uma religião, a um livro, e que tal livro é, portanto inerrante e infalível। Temos que abandonar todo verbalismo, todo biblicismo literal, toda ingenuidade pré-crítica।


A revelação se dá no processo humano, dentro da história, não sendo formada de certas palavras ou textos, mas sendo o próprio processo vital existencial e universal da experiência com o Divino। O que se produz a partir do encontro é resultado e não a revelação em si mesmo.


Não podemos pensar que o Deus de todos os homens revele-se apenas para determinados grupos। Na verdade toda a criação já está debaixo da redenção, pois o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, logo toda a criação manifesta Deus, e toda realidade se converte em revelação. A revelação de Deus no Filho não cancela a presença universal do Espírito em toda a criação.


O conceito limitado da revelação está associado à visão de que Deus só tem um povo amado e eleito, mas com o fim desse conceito limitado também se finda as “eleições”। O povo de Deus transcende as fronteiras das raças e das religiões.


Sei que nisto muitos discordarão, pois as doutrinas das eleições são à base de todo comportamento cristão। Despejarão textos bíblicos para mostrar que as doutrinas das eleições são a verdade. Sem dúvida a bíblia fala de eleição, mas somente uma leitura ingênua pré-crítica é que pensará que tal expressão é revelatória, esquecendo do contexto histórico e dos condicionantes humanos que formularam tal doutrina ou idéia.


Se tivermos que ainda utilizar uma linguagem onde o termo eleição aparece, devemos então seguir a Cristo, para quem os pobres, os pacificadores, os mansos, os injustiçados, os oprimidos eram os filhos de Deus।


Para Jesus o Reino de Deus estava disponível a todos os homens bastando para isso viverem a prática do amor e da justiça। Paulo, bem entendo isso, disse que em Jesus Cristo o que conta não é a circuncisão ou a incircuncisão, mas a fé que age por meio do amor (Gl 5.6).


Então não há uma única religião verdadeira, todas elas são resultados da busca do homem, inclusive o cristianismo, a única religião universal é a do amor, conforme toda a epístola de João e o livro de Tiago।


Jesus nunca fundou uma religião ou mesmo a igreja cristã। Toda a missão de Jesus girava em torno do Reino. Das 122 vezes que Reino aparece nos evangelhos 90 delas estão nos lábios de Jesus. E o que é o Reino de Deus? É a transformação radical da realidade histórica.


O que o cristianismo fez foi um híbrido, juntaram o Cristo da fé dos hebreus com o deus Júpiter dos romanos, nascendo um ser totalmente diferente do Homem de Nazaré। É a partir daí, por razões políticas que o cristianismo se solidifica e se expande com a força do braço imperial, perseguindo todo movimento, religião ou pessoa que não se rendesse as doutrinas imperiais. E afirmaram que a igreja romana era o próprio Reino de Deus. Tudo isso conduziu finalmente ao exclusivismo absoluto do cristianismo.


Essa igreja só faria bem a si mesmo e aos demais se abandonasse toda presunção de ser o Reino e se colocar a serviço do Reino। O cristianismo só seria de Jesus se abandonasse seu eclesiocentrismo pelo reinocentrismo.


Enquanto formos eclesiocêntricos continuaremos colocando a teoria adiante da prática, o dogma acima da ética, a doutrina acima da vida, a ortodoxia no lugar da ortopraxia। Chegou a hora do retorno ao essencial. Conhecer a Deus significa praticar a justiça conforme a carta de João, e essa não é uma verdade nova.


Temos que abandonar esse conceito de verdade grega, esse aristotelismo presente em nossas teologias। Hoje sabemos que tudo é histórico, evolutivo, dinâmico. Tudo está relacionado como afirmam as ciências modernas, a nova física, e a nova pesquisa histórica. Já não podemos mais a partir disso confundir Deus com as representações que fazemos Dele. Deus está acima do nosso conceito a respeito Dele, e todo conceito a respeito Dele é cultural. Sendo assim, Deus é absoluto, mas todo pensamento sobre Ele é relativo.


Não podemos mais pretender que o cristianismo seja a única religião que tem a verdade। Deus não está preso a nenhuma religião, e não cabe nas nossas medidas. O Evangelho de Jesus é supra cultural, por isso mesmo pode ser acolhido no coração de qualquer homem em qualquer religião, povo ou cultura. Assim uma pessoa realmente de Deus está além da religião, isso porque Deus não está ligado a nenhuma. Deus não tem dono, nem substituto. Ele está acima de tudo que dizemos, confessamos ou ensinamos. Em si é um mistério inabarcável, inapreensível e inexpressável. Não há dogma ou credo que possa defini-lo. O melhor que podemos fazer é não fechar conceitos, é fazer teologia no caminho, ou seja, sempre pronta para rever seus conceitos, abandonar suas velhas idéias e continuar buscando ao Deus que é maior do que todo o processo.


Urge termos um otimismo soteriológico para de fato lutarmos pela causa de Jesus। Urge abandonarmos toda espécie de exclusivismo. A única conversão que devemos desejar para que todos os povos experimentem é a conversão a Deus e ao seu Reino, independente da cultura ou religião que tenham. Urge fazermos missão com base na libertação integral que é a proposta do Reino e não na idéia de que somos essenciais para a salvação do outro, salvação essa que é só metafísica e não de fato e de verdade. Uma missão que sirva ao Reino e não a uma religião, igreja ou denominação.


E o que aqui escrevo não tem a pretensão de ser uma nova especulação para o entretenimento ou satisfação da minha própria vaidade. É pelo desejo de ver a mensagem de Jesus sendo pregada e vivida. Pelo desejo que o Reino seja uma realidade para todos e em todos. Quero sim a superação da religiosidade, em favor da espiritualidade. Quero o fim de todo dogmatismo. Quero o Evangelho para todos, que tem como única regra e dogma o Amor. Que nossa missão consista em revelar isso, pois tudo que não provém do Amor é nocivo

Ivo Fernandes
21 de dezembro de 09

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Uma sexta-feira santa


Eram as primeiras horas da madrugada da sexta-feira chamada santa. Meu coração se encheu de um sentimento estranho, uma mistura de tristeza com esperança, de paz com inquietação. Há pouco havia brincado com familiares, havia curtido os nove anos de minha filha mais velha. No fim da noite da quinta-feira participei de uma conversa sobre Deus, com uma espiritualista e uma cristã-mórmon.


No começo da conversa ríamos até juntar-se a mesa alguns cristãos-evangélicos que junto com a cristã-mórmon demonstravam saber tudo sobre Deus e sobre o que ele pensa. Não podia mais participar daquilo, o que falasse pareceria mais uma receita sobre Deus.E o que sei sobre Deus?


Entrei na sexta-feira santa com meus pensamentos presos a pergunta que fizera. Lembrei-me de minha infância e da trajetória até aqui. Aos oito anos começava minha jornada de identificação cristã. Nessa idade era o que os outros diziam que era. Alguns acreditavam profundamente em algo a meu respeito que eles chamavam de chamado, o que mais tarde depois de muita luta também passei a acreditar, até entender que não há para mim outro chamado que não seja viver para aquele que por mim morreu e ressuscitou.

Aos 12 anos não sabia como me identificar. Tinha vergonha em alguns círculos de me identificar como evangélico. Hoje não é apenas em alguns círculos. De fato, não quero mais nenhuma identificação com este movimento.


Aos 15 anos minha vida mudou, comecei a pregar. Em pouco tempo já era conhecido em várias igrejas dos bairros próximos ao meu. Pregava, e não me recordo de nada que tenha sido de fato algo que tenha procedido do meu coração. Falava muito do que ouvia, mas desde essa época meu coração se inclinava para a mensagem da Graça. Isso, desde então, me trouxe problemas.

Arranjei confusão com líderes da minha igreja por tratar de assuntos como a masturbação de uma maneira tão diferente deles. Afinal nunca disse que tal ato era pecado e me recusava condenar os praticantes de tal ato, à medida que falava de um viver equilibrado.


Aos 18 anos fui consagrado ao pastorado. Foi na primeira experiência como pastor que aprendi mais sobre a vida, e comecei a ver que não tinha todas as respostas para todas as perguntas que me faziam. Era uma comunidade muito pobre, cheias de desafio e problemas a maioria deles sem solução aparente.

Nesta idade comecei a estudar teologia. Isso me empolgou, e até hoje me empolga. No entanto, minha viagem na teologia também me trouxe problemas. Nos primeiros anos estudei tudo sobre as doutrinas defendidas pelo ministério que fazia parte. Sabia tudo, mas aquilo não me encantava, e nunca consegui falar com paixão daquilo que chamavam de ortodoxia, o que hoje sei que não deveria carregar esse nome.


Depois de um tempo, conheci a teologia reformada. Foi emocionante a leitura, mas não consegui conviver com as certezas dessa teologia. Começava a ficar claro que não conseguia amar a Deus se ele fosse daquela forma.

Conheci a teologia liberal, neo-ortodoxa, neoliberal, libertação, latino-americana, secular, feminista, negra, inclusiva. Passei a me dedicar aos estudos do Novo Testamento. Li muito sobre a questão do Jesus histórico. Avaliei os textos em busca de tal Jesus. Alguns anos de grego, o que foi abandonado, quando abandonei também tal busca.


Aos 23 anos numa tarde em frente ao mar, consultei meu coração. A partir daquele dia gostaria de ser fiel a minha consciência, pregar o que estava em meu coração. Isso me levou a sair da igreja onde havia sido consagrado e sucessivamente das três próximas igrejas que participei. De fato não havia espaço para mim entre aqueles que viam na minha mensagem uma perversão.

Aos 25 anos já não estava mais entre os evangélicos e fui tratado como herege por todos aqueles que outrora me chamavam de amigo. A coisa piorou quando na minha caminhada associei-me com os do Caminho, entre eles o Caio Fábio a quem também haviam declarado herege.


Tive que deixar alguns empregos. Tive que ver amigos me tratando como desconhecido. Tive que ver meu nome sendo difamado na boca de muitos. Tive que experimentar a mais profunda solidão e foi nesse período que de fato meu coração foi plenamente tomado pela Graça. Já não havia mais nenhuma a barganha a fazer com nada e nem com ninguém.

Continuei pregando o Evangelho e agora mais livre do que nunca. Continuei dando aula de teologia e agora de fato sendo um teólogo que não tem a presunção de encaixar Deus em meus finitos pensamentos.


E hoje, nesta sexta-feira santa sinto-me livre de ter que defender o que quer que seja para quem quer que seja. Afinal, o que sei sobre Deus? O que sei Dele na verdade não serve para ninguém, pois o que sei é fruto de um coração alcançado misteriosamente. Sei o que sei para mim. O que tenho a dizer para quem serve com convicção o deus do terror? Nada.

A fé que tenho, de fato tenho para mim mesmo. O caminho que sigo, de fato sigo só, mesmo sabendo que há companheiros de jornada.


Hoje, abri minha caixa de emails e vi alguns textos de amigos. Poderia participar e falar alguma coisa, mais o que? O que creio, creio para mim, mas não sou a verdade e nem mesmo o guardião dela.

Hoje quero deixar cada um seguir seu caminho. Seguindo o meu caminho, vou falando da boa-nova do amor do meu Deus por todos os homens e de salvação gratuita para todos, quem quiser ouvir ouça, quem não quiser não ouça. Não pensem que tentarei converter alguém a alguma coisa. Não creio em coisas, creio num Ser, e com ele não adianta conhecimento, apenas relacionamento, e isso é mistério.


Quero de fato respeitar a todos, visto que em muitos momentos, falei apaixonadamente e acabei por passar a impressão que era detentor da verdade, senhor da revelação. Não! Eu não sou!

Para respeitar preciso confessar que não posso mais participar de rodas onde Deus seja debatido. Não tenho um Deus para debater, e nem para colocar na arena das verdades-humanas. Na verdade não tenho um Deus para ofertar aos outros. No máximo posso falar da convicção do meu coração e da paz que procede Dele. Ou seja, só posso falar de mim e não de Deus.

Aos amigos que me pedem para participar das discussões, perdoem-me, não posso. Como teólogo posso participar de tudo que diga respeito a nossa limitada e pobre compreensão do fenômeno religioso, mas não posso discutir quem está acima de todo conceito.


O caminho continua sendo para mim. O Caminho é da Graça e na Graça. Os homens que caminham neste caminho são por mim admirados e amados. Mas ninguém se sinta obrigado a nada, por me ver fazendo algumas coisas. O que faço, faço para mim. Sigo com alegria na companhia destes homens que como eu, não têm outro caminho a fazer.

Ivo Fernandes
Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Descansando na Graça


A história relatada em Lucas 10 sobre Maria e Marta e de como Maria escolheu a melhor parte tem me ensinado bastante nos últimos anos. Desde os meus 18 anos que pastoreio, desde os 15 que vinha pregando. Minha vida só fazia sentido na prática do serviço pastoral.

Sempre fui feliz por ajudar as pessoas, mas de maneira quase inconsciente meu serviço ia se tornado numa espécie de escapismo para não tratar de mim mesmo. Para não ter que parar e enxergar direito minhas mazelas, não perceber minhas sombras.

Quanto mais atividade mais acreditava que em mim não havia brechas, e que, portanto o pecado estava superado. Hoje sei que nada é mais perigoso para a alma do que as convicções nascidas de uma mente que se enxerga apenas pelo serviço que executa.

Tive que aprender, não de maneira fácil que minha natureza é cheia de desvios, que sou sombra e luz, fraqueza e força. Tive que aprender mais sobre minha humanidade e abandonar minhas certezas “santas” a respeito de mim mesmo.

Aprendi que Aquele que eu dizia seguir nunca se dedicou ao serviço de maneira que a vida lhe fosse tirada como um dom para ser vivido. Olhei e vi Jesus caminhando sem pressa, sem agendas, sem compromissos inadiáveis. Vi Jesus tendo tempo para amigos, para crianças, para festas, para o silêncio e para a conversa.

Desde então tenho me permitido descansar. Sei que descansar exige fé. Fé Naquele que tudo já fez. Fé Naquele que tudo sabe. Fé naquele que tudo pode.

Tenho me permitido o silêncio em frente ao mar, as brincadeiras com minhas filhas, as conversas com meus amigos, o namorar com minha amada.

E é descansado que percebi que o amor só se sente na calma. Na agitação o coração não percebe o que de fato faz bem. É no descanso que sentimos a presença do favor imerecido de Deus, pois na agitação tudo é pesado e cansativo.

Vemos tudo melhor quando estamos com o coração e corpo sossegados. Vejo melhor a mim mesmo, vejo melhor quem me cerca, vejo melhor a vida, vejo melhor o próprio Deus.

Descansando na Graça de Deus faço coro a Almir Sater em sua canção “Ando devagar”

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei,
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou,
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz

Ivo Fernandes
12 de novembro de 2009


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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Creio - A Esperança


A esperança cristã se une a esperança judaica, e por que não dizer de todos os homens quanto à realidade do Reino. Os profetas anunciaram sua vinda e sua duração eterna (Dn 2;6;7). Porém Jesus nos revelou que tal Reino não vem com aparência exterior, mas já é realidade entre nós (Lc 17.20,21), porém esse Reino não pertence as mesmas categorias dos reinos dos homens (Jo 18.36).

O Reino é um reino de justiça onde toda opressão é exterminada, um reino de paz (Is 9.1-7). Esse Reino pertence aos pobres de espírito, aos que foram e são perseguidos por causa do amor a justiça (Mt 5), aos que se tornam como crianças na dependência do sagrado(Mt 18.3). Estes filhos do Bem são sementes do Reino no mundo(Mt 13.38).

No momento o Reino dos céus está entre os reinos do mundo, tal como o trigo em meio ao joio, tal como um tesouro escondido num campo, não cabe aos filhos do Reino tentar separar o joio do trigo, isso se dará na consumação dos tempos, o que se precisa é ter coragem de como um homem que encontrou uma pérola de grande valor, fazer tudo para possuí-la (Mt 13).

No Reino o maior é sempre aquele que serve, aquele que se dispõe ao perdão, que busca sempre a harmonia (Mt 18), por tal razão é que é difícil os homens ricos de si mesmo entrarem no Reino dos céus(Mt 19.24), e também os homens que barganham com o Senhor do Reino (Mt 20).

Devido à natureza caída dos homens é necessária uma conversão da consciência para que o Reino seja entendido e vivido, de outro modo não experimentam tal realidade (Jo 3), daí o chamado ao arrependimento(Mt 4.17).

Cabe aos filhos do Reino anunciar tal realidade, não somente com palavras, mas curando os enfermos, expulsando os demônios, libertando os oprimidos, alimentando os famintos, ressuscitando os mortos, transformando realidades, sem preguiça ou desistência, pois o Reino requer de seus filhos radicalidade no compromisso (Lc 9).

Enquanto no Caminho os filhos deste promovem o Reino também renovam suas esperanças Naquele que pelo seu poder e Graça reinará sobre todos os reinos do mundo (Apc 11.15). Nesse tempo de salvação universal o mal já não mais existirá (Apc 12.10).

Haverá um novo céu e uma nova terra onde tudo que nos separa já mais existirá. O mundo e Deus estarão em unidade visível e perfeita como um casamento. Não haverá mais lágrima, nem pranto, nem clamor, nem dor e nem morte. E todo mal será exterminado na segunda morte. E os salvos andarão na Luz, que é o Cordeiro que foi imolado desde a fundação do mundo para fazer convergir em si todas as coisas. (Apc 21)

A Glória pertence a Deus!

Ivo Fernandes
30 de outubro de 2009

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Creio – Homem


O homem foi criado para Deus e em Deus. Sua existência só tem significado e plenitude Nele. Fora Dele o homem é pecado, em estado de subtração do ser, sem entendimento, sem bondade real. Toda sua tentativa de se ver bom fora Dele é um caminho de morte, pois nega sua condição existencial de caído, fruto de uma decisão essencial que nos foge ao entendimento, mas nos alcança pela experiência.

O relato do gênesis nos traz um quadro excelente da condição do homem fora Dele. Os sentimos que nos dominam nesta condição formam nossas sociedades e nossas religiões, vergonha e culpa.

A Queda, nome que damos a esse acontecimento essencial, porém, não foi determinante e nem última, vista já ocorrer no ambiente da Graça do Cordeiro imolado desde a fundação do mundo. E é por causa dessa Graça e nesta Graça que o homem caído é guiado pelo Espírito por meio da fé à plenitude do ser.

Assim o que somos, só somos Nele. E fora Dele está também a revelação de quem não somos. Pois Nele está a verdade e fora dele o que é não é. Aqui habita a razão de odiarmos a revelação, pois nos mostra nossa condição de caído, o que é insuportável fora do alcance acolhedor da Graça.

Ivo Fernandes
21 de outubro de2009

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Creio – Jesus Cristo


Eu creio que Jesus de Nazaré, nascido de mulher é o Filho de Deus, encarnação do Ser Eterno, manifestação de toda a Sua glória. Sua humanidade não anula ou diminui sua divindade e nem sua divindade anula ou diminui sua humanidade, por tal razão podemos chamá-lo de Deus-Homem e só em razão de o Ser Deus-Homem é que também se chama Salvador de todos os homens.

Sua Humanidade não era uma ilusão ou aparência, de fato esteve sujeito a todas as leis que regem a humanidade. Nasceu e morreu, foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, retornou ao Pai e ainda virá revelar a reconciliação de todas as coisas Nele.

Sua divindade não é criada a partir do poder do Pai, mas eternamente coexiste com a do Pai e do Espírito Santo.

Na encarnação revelou o amor de Deus pelos homens e o caminho da salvação do ser, caminho da graça, do perdão, da misericórdia, da bondade, da compaixão e da verdade. E mesmo tendo nascido dos judeus, o mistério da revelação é conforme a ordem de Melquisedeque, ou seja, sem relação exclusiva com nenhum grupo humano.

Através da encarnação fica clara a unidade estabelecida entre o humano e o divino, fica revelado o propósito de fazer convergir todas as coisas em Cristo, pois todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele, Dele vieram e para Ele voltarão.

Por causa da encarnação sabemos o que é Evangelho, sendo o anúncio da reconciliação de todas as coisas com Deus e o chamado para que se vivam a plenitude dessa reconciliação. Não é uma explicação filosófica ou teológica da existência, mas a vida mesmo. Por isso o chamado não é para explicar o problema do mal, mas para vencê-lo pelo bem.

Tal discernimento só se alcança mediante a iluminação do Espírito. Só por tal meio é que se diz que Deus é amor e no amor está toda justiça, e que por causa da negação do mundo ao amor é que este está julgado e condenado, mas por causa da misericórdia e da graça é que ele está reconciliado e salvo, o que será visto por todos quando o Filho a todos se revelar.

Por tal discernimento é que se sabe que o Reino de Deus ocorre na consciência dos homens, e que por isso não pode ser manipulado, controlado por forças humanas. Com isso podemos ter esperança que aquilo que olho ainda não vê já o é, afinal Nele habita a Plenitude de todas as coisas, o Deus revelado, o Homem revelado, a História revelada, por isso Nele está toda a Vida e fora Dele nada há.

Ivo Fernandes
15 de outubro de 2009

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A ética do reino e reconciliação universal



Textos Bíblicos

Atos 3.18-21

Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado; que o Cristo havia de padecer. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor, e envie, Ele, a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.
Romanos 5

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.

Rm 8.32

Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?

Rm 11.32-36

Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia. Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

1 Co 15. 22-28

Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

2 Co 5. 14-21

Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.

Ef 1.3-10

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.

Ef 4.10

Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para plenificar todas as coisas.

Fp 2. 5-11

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Fp 3.20,21

Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.

Cl 1.15-20

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.

Cl 3.9-11

Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos.

1 Tm 4.9,10

Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação; porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis.

Tt 2.11

Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.
Hb 2.8-10

Todas as coisas estão submetidas a Cristo, nada deixou que lhe ficasse insubmisso. Agora, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso. Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles.

Apc 22.21

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém.
Depois de todas estas coisas ditas pelas escrituras, sabemos que toda a existência está Nele. Não há mais um mundo sem Cristo e nem um Cristo sem o mundo, Deus se fez Homem. Negar o mundo reconciliado com Deus é negar Cristo. A Igreja não é diferente do mundo quanto a reconciliação, mas apenas quanto ao chamado para anunciar a reconciliação e quanto a fé nessa realidade. E ela não pode esquecer que o mundo que foi reconciliado foi justamente esse mundo mau, portanto na aparência esse mundo parece ser do diabo, mas a realidade é que só existe uma verdade, tudo pertence a Cristo, dizer o contrário é negar a reconciliação do mundo com Deus em Cristo.

Em Cristo Deus está unido com a humanidade; a humanidade está aceita por Deus e o mundo está reconciliado com Ele. Jesus carregou o pecado de todos os homens, nada ficou de fora. O mundo pertence a Cristo e só em Cristo ele é o que é.

Ivo Fernandes
13 de setembro de 2009

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A ética do reino e a finalidade da vida


O homem foi criado para Deus. Daí parte que só Deus é senhor do homem, e de fato só Deus tem direto sobre o homem. O homem que é de Deus é homem pleno. Tudo é Dele, corpo, alma e espírito. Atentar contra o corpo, alma e espírito, atentar contra o homem é atentar contra Deus. Por isso se diz “não matarás” e ainda “aquele que encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno”.

Ivo Fernandes
18 de setembro de 2009

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A ética do reino como modo de viver


Diz Paulo, “Agora permanecem a fé, a esperança e o amor, a maior delas, porém é o amor”. Pela fé sabemos que fomos reconciliados com Deus em Cristo, o que nos dá a esperança da salvação e da glorificação, porém sem amor isso tudo é apenas informação que não gera bem para a alma.

É o amor que nos tirará do campo da observação para a prática da fé. Ele é a força do justo que o impulsiona enquanto aguarda o Dia em que as sombras todas serão dissipadas. Sem amor até a fé e a esperança seriam corrompidas. Sem amor caímos no erro da salvação pelo serviço ou pior, no entusiasmo da salvação sem serviço.

O amor transforma nosso comportamento por causa do nosso estado em Cristo. É por estarmos Nele e não para estarmos nele que nos movemos e existimos. É por estarmos livres Nele que de fato podemos servir aos irmãos, pois esse serviço já não é por nossa causa, ou por causa de algum mérito, é somente em razão do nosso estado Nele, só por essa razão os que são habitados pelo amor vivem de modo que sua mão direita não sabe o que faz a esquerda.

Ivo Fernandes
11 de setembro de 2009

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Entrevista Concedida ao aluno Sérgio Marçal do STPC.

1) Faça uma breve biografia sua.

Meu nome é Antônio Ivo Soares Fernandes, nascido em Fortaleza-CE. Desde a minha infância estou envolvido com a igreja cristã. Tive algumas experiências de conversão e as continuo tendo no decorrer destes anos. Lembro-me da primeira aos oito anos de idade, outra aos quinze, ano em que comecei a pregar. Na infância congregava em uma igreja Batista, batizei-me numa Assembléia de Deus, e depois tive, como pregador e professor, envolvimento com vários ministérios diferentes desde as igrejas pentecostais até as históricas. Atualmente sou mentor da estação do Caminho da Graça em Fortaleza. Sou casado com Janaína e tenho duas filhas, Ivna (9) e Cecília (1).

2) Qual o nome de seu ministério?

Pertenço a um movimento chamado Caminho da Graça, que tem o pastor Caio Fábio como mentor do processo.

3) Qual a principal linha teológica defendida?

Nosso movimento não tem uma linha teológica definida. Eu, enquanto indivíduo, possuo grande simpatia pelas teologias que não se encerram na arrogância de acabadas.

4) Em que assunto geralmente consiste o sermão?


Acredito que todo sermão precisa essencialmente ser cristocêntrico.

5) Qual seu conhecimento acadêmico?

Sou formado em teologia, com especialização em teologia contemporânea. Atualmente me especializo em pedagogia.

6) Tem alguma especialização ou conhecimento aprofundado em homilética? Comente.

Especialização não, mas tive uma boa experiência na graduação. Tive um professor dinâmico e criativo, que me fez ver a homilética com olhos de graça e me encantar pela pregação.

7) Qual a importância do curso teológico em sua opinião?

O curso de teologia é excelente para quem possui maturidade e uma base educacional. Claro que isso a associado às próprias metodologias de ensino. Sem essas coisas a teologia pode enganar o indivíduo com a pretensão de se sentir senhor da verdade.

8) Quanto tempo dedica para estudar a Bíblia?

Estudo a Bíblia todos os dias, pelo menos 3 horas diárias.

9) Como se utiliza do conhecimento histórico nas pregações?

O conhecimento histórico é uma excelente ferramenta para enriquecer a pregação, e para melhor facilitar o entendimento do texto bíblico e a devida aplicação contemporânea.

10)Concorda em fazer aplicações pessoais nas pregações? O que acha? Com que frequência realiza?

Concordo. Pessoalizar a pregação a deixa mais próxima dos ouvintes, porém é preciso cuidado, para não perder o foco da mensagem tornando-a apenas numa autobiografia.

11)Como vê a questão da relação entre o caráter do pregador e o púlpito?

O grande problema da sociedade cristã contemporânea é justamente a falta de caráter dos pregadores. Penso que a boa mensagem é aquela que antes de se manifestar em palavras é manifesta pela vida dos pregadores.

12)Qual a sua opinião sobre o caráter predominante dos pregadores nos dias de hoje?

Os pregadores de hoje em sua grande maioria possuem caráter duvidoso. Muitos apenas desejam vender a própria imagem. Pensam apenas em lucro. Não possuem amor sincero pelo Evangelho e nem pelas vidas humanas.

13)Em sua opinião, a pregação através de um homem que vive na prática contrária a Palavra, é eficaz e valida? O que acha?

Acho muito difícil um homem pregar o Evangelho de fato quando vive na contramão dele, mas supondo que pudesse pregar a Verdade mesmo agindo contrária a ela, acredito que fosse (a mensagem) poderosa para alcançar vidas.

14)É possível um pregador viver em paz consigo quando seus conceitos divergem muito da maioria?

Sim. Desde que suas convicções sejam produtos do refletir sincero sobre o Evangelho.

15)Como vê a pregação contemporânea?

Vejo que hoje seguimos três linhas bem evidentes, a que possuem sua base na teologia da prosperidade e outra que possui sua base nas confissões reformadas e a que busca tornar o Evangelho relevante para nossa geração. A primeira, vejo como adulteração da mensagem do Evangelho, a segunda vejo como infrutífera, a terceira vejo com desafiante para todo pregador que ama de fato a mensagem.

16)O que acha da quantidade de ministérios ou placas dentro de nosso estado hoje?

Lamentável. Visto que a maioria desses ministérios nasceu como fruto da ganância de alguns homens.

17)O que atribui aos frequentes escândalos no meio evangélico?

Falta de Evangelho genuíno. Cegueira do povo que não quer assumir uma atitude crítica. Impunidade.

18)Quanto ao louvor moderno, podemos acreditar que estamos realmente adorando a Deus, com esta diversidade de composições?

Não. Para mim o louvor moderno é apenas uma estratégia de venda e também de manipulação das mentes fracas que vivem a procura de ídolos para cultuarem.

19)Concorda com a obrigatoriedade do dízimo na igreja de hoje?

Não. Está em desacordo com o princípio do Evangelho.

20) Que mensagem deixaria para aproximar ao máximo o meio cristão do reino ideal, nos dias de hoje?

A mensagem é um chamado a conversão. A igreja cristã precisa converte-se ao Senhor da Vida e praticar os mandamentos e pregar o Evangelho. Quando essa geração de fato se converter, abandonando seus cultos-shows, seus cantores-pastores ídolos, suas manipulações e busca desenfreada por dinheiro; quando abrir mão dos legalismos sufocantes, das hierarquias esmagadoras, da futilidade cristã; aí poderemos começar a ver a manifestação do Reino.

A mensagem é a mesma: Arrependei-vos porque o Reino está entre nós e o machado está posto a raiz das árvores.

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