terça-feira, 3 de novembro de 2009

Creio - A Esperança


A esperança cristã se une a esperança judaica, e por que não dizer de todos os homens quanto à realidade do Reino. Os profetas anunciaram sua vinda e sua duração eterna (Dn 2;6;7). Porém Jesus nos revelou que tal Reino não vem com aparência exterior, mas já é realidade entre nós (Lc 17.20,21), porém esse Reino não pertence as mesmas categorias dos reinos dos homens (Jo 18.36).

O Reino é um reino de justiça onde toda opressão é exterminada, um reino de paz (Is 9.1-7). Esse Reino pertence aos pobres de espírito, aos que foram e são perseguidos por causa do amor a justiça (Mt 5), aos que se tornam como crianças na dependência do sagrado(Mt 18.3). Estes filhos do Bem são sementes do Reino no mundo(Mt 13.38).

No momento o Reino dos céus está entre os reinos do mundo, tal como o trigo em meio ao joio, tal como um tesouro escondido num campo, não cabe aos filhos do Reino tentar separar o joio do trigo, isso se dará na consumação dos tempos, o que se precisa é ter coragem de como um homem que encontrou uma pérola de grande valor, fazer tudo para possuí-la (Mt 13).

No Reino o maior é sempre aquele que serve, aquele que se dispõe ao perdão, que busca sempre a harmonia (Mt 18), por tal razão é que é difícil os homens ricos de si mesmo entrarem no Reino dos céus(Mt 19.24), e também os homens que barganham com o Senhor do Reino (Mt 20).

Devido à natureza caída dos homens é necessária uma conversão da consciência para que o Reino seja entendido e vivido, de outro modo não experimentam tal realidade (Jo 3), daí o chamado ao arrependimento(Mt 4.17).

Cabe aos filhos do Reino anunciar tal realidade, não somente com palavras, mas curando os enfermos, expulsando os demônios, libertando os oprimidos, alimentando os famintos, ressuscitando os mortos, transformando realidades, sem preguiça ou desistência, pois o Reino requer de seus filhos radicalidade no compromisso (Lc 9).

Enquanto no Caminho os filhos deste promovem o Reino também renovam suas esperanças Naquele que pelo seu poder e Graça reinará sobre todos os reinos do mundo (Apc 11.15). Nesse tempo de salvação universal o mal já não mais existirá (Apc 12.10).

Haverá um novo céu e uma nova terra onde tudo que nos separa já mais existirá. O mundo e Deus estarão em unidade visível e perfeita como um casamento. Não haverá mais lágrima, nem pranto, nem clamor, nem dor e nem morte. E todo mal será exterminado na segunda morte. E os salvos andarão na Luz, que é o Cordeiro que foi imolado desde a fundação do mundo para fazer convergir em si todas as coisas. (Apc 21)

A Glória pertence a Deus!

Ivo Fernandes
30 de outubro de 2009

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Creio – Homem


O homem foi criado para Deus e em Deus. Sua existência só tem significado e plenitude Nele. Fora Dele o homem é pecado, em estado de subtração do ser, sem entendimento, sem bondade real. Toda sua tentativa de se ver bom fora Dele é um caminho de morte, pois nega sua condição existencial de caído, fruto de uma decisão essencial que nos foge ao entendimento, mas nos alcança pela experiência.

O relato do gênesis nos traz um quadro excelente da condição do homem fora Dele. Os sentimos que nos dominam nesta condição formam nossas sociedades e nossas religiões, vergonha e culpa.

A Queda, nome que damos a esse acontecimento essencial, porém, não foi determinante e nem última, vista já ocorrer no ambiente da Graça do Cordeiro imolado desde a fundação do mundo. E é por causa dessa Graça e nesta Graça que o homem caído é guiado pelo Espírito por meio da fé à plenitude do ser.

Assim o que somos, só somos Nele. E fora Dele está também a revelação de quem não somos. Pois Nele está a verdade e fora dele o que é não é. Aqui habita a razão de odiarmos a revelação, pois nos mostra nossa condição de caído, o que é insuportável fora do alcance acolhedor da Graça.

Ivo Fernandes
21 de outubro de2009

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Creio – Jesus Cristo


Eu creio que Jesus de Nazaré, nascido de mulher é o Filho de Deus, encarnação do Ser Eterno, manifestação de toda a Sua glória. Sua humanidade não anula ou diminui sua divindade e nem sua divindade anula ou diminui sua humanidade, por tal razão podemos chamá-lo de Deus-Homem e só em razão de o Ser Deus-Homem é que também se chama Salvador de todos os homens.

Sua Humanidade não era uma ilusão ou aparência, de fato esteve sujeito a todas as leis que regem a humanidade. Nasceu e morreu, foi sepultado e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, retornou ao Pai e ainda virá revelar a reconciliação de todas as coisas Nele.

Sua divindade não é criada a partir do poder do Pai, mas eternamente coexiste com a do Pai e do Espírito Santo.

Na encarnação revelou o amor de Deus pelos homens e o caminho da salvação do ser, caminho da graça, do perdão, da misericórdia, da bondade, da compaixão e da verdade. E mesmo tendo nascido dos judeus, o mistério da revelação é conforme a ordem de Melquisedeque, ou seja, sem relação exclusiva com nenhum grupo humano.

Através da encarnação fica clara a unidade estabelecida entre o humano e o divino, fica revelado o propósito de fazer convergir todas as coisas em Cristo, pois todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele, Dele vieram e para Ele voltarão.

Por causa da encarnação sabemos o que é Evangelho, sendo o anúncio da reconciliação de todas as coisas com Deus e o chamado para que se vivam a plenitude dessa reconciliação. Não é uma explicação filosófica ou teológica da existência, mas a vida mesmo. Por isso o chamado não é para explicar o problema do mal, mas para vencê-lo pelo bem.

Tal discernimento só se alcança mediante a iluminação do Espírito. Só por tal meio é que se diz que Deus é amor e no amor está toda justiça, e que por causa da negação do mundo ao amor é que este está julgado e condenado, mas por causa da misericórdia e da graça é que ele está reconciliado e salvo, o que será visto por todos quando o Filho a todos se revelar.

Por tal discernimento é que se sabe que o Reino de Deus ocorre na consciência dos homens, e que por isso não pode ser manipulado, controlado por forças humanas. Com isso podemos ter esperança que aquilo que olho ainda não vê já o é, afinal Nele habita a Plenitude de todas as coisas, o Deus revelado, o Homem revelado, a História revelada, por isso Nele está toda a Vida e fora Dele nada há.

Ivo Fernandes
15 de outubro de 2009

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A ética do reino e reconciliação universal



Textos Bíblicos

Atos 3.18-21

Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado; que o Cristo havia de padecer. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor, e envie, Ele, a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.
Romanos 5

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos. Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.

Rm 8.32

Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?

Rm 11.32-36

Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia. Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

1 Co 15. 22-28

Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

2 Co 5. 14-21

Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.

Ef 1.3-10

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado, em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça, Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência; Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra.

Ef 4.10

Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para plenificar todas as coisas.

Fp 2. 5-11

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.

Fp 3.20,21

Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.

Cl 1.15-20

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.

Cl 3.9-11

Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos.

1 Tm 4.9,10

Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação; porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis.

Tt 2.11

Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens.
Hb 2.8-10

Todas as coisas estão submetidas a Cristo, nada deixou que lhe ficasse insubmisso. Agora, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso. Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles.

Apc 22.21

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém.
Depois de todas estas coisas ditas pelas escrituras, sabemos que toda a existência está Nele. Não há mais um mundo sem Cristo e nem um Cristo sem o mundo, Deus se fez Homem. Negar o mundo reconciliado com Deus é negar Cristo. A Igreja não é diferente do mundo quanto a reconciliação, mas apenas quanto ao chamado para anunciar a reconciliação e quanto a fé nessa realidade. E ela não pode esquecer que o mundo que foi reconciliado foi justamente esse mundo mau, portanto na aparência esse mundo parece ser do diabo, mas a realidade é que só existe uma verdade, tudo pertence a Cristo, dizer o contrário é negar a reconciliação do mundo com Deus em Cristo.

Em Cristo Deus está unido com a humanidade; a humanidade está aceita por Deus e o mundo está reconciliado com Ele. Jesus carregou o pecado de todos os homens, nada ficou de fora. O mundo pertence a Cristo e só em Cristo ele é o que é.

Ivo Fernandes
13 de setembro de 2009

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A ética do reino e a finalidade da vida


O homem foi criado para Deus. Daí parte que só Deus é senhor do homem, e de fato só Deus tem direto sobre o homem. O homem que é de Deus é homem pleno. Tudo é Dele, corpo, alma e espírito. Atentar contra o corpo, alma e espírito, atentar contra o homem é atentar contra Deus. Por isso se diz “não matarás” e ainda “aquele que encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno”.

Ivo Fernandes
18 de setembro de 2009

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A ética do reino como modo de viver


Diz Paulo, “Agora permanecem a fé, a esperança e o amor, a maior delas, porém é o amor”. Pela fé sabemos que fomos reconciliados com Deus em Cristo, o que nos dá a esperança da salvação e da glorificação, porém sem amor isso tudo é apenas informação que não gera bem para a alma.

É o amor que nos tirará do campo da observação para a prática da fé. Ele é a força do justo que o impulsiona enquanto aguarda o Dia em que as sombras todas serão dissipadas. Sem amor até a fé e a esperança seriam corrompidas. Sem amor caímos no erro da salvação pelo serviço ou pior, no entusiasmo da salvação sem serviço.

O amor transforma nosso comportamento por causa do nosso estado em Cristo. É por estarmos Nele e não para estarmos nele que nos movemos e existimos. É por estarmos livres Nele que de fato podemos servir aos irmãos, pois esse serviço já não é por nossa causa, ou por causa de algum mérito, é somente em razão do nosso estado Nele, só por essa razão os que são habitados pelo amor vivem de modo que sua mão direita não sabe o que faz a esquerda.

Ivo Fernandes
11 de setembro de 2009

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Entrevista Concedida ao aluno Sérgio Marçal do STPC.

1) Faça uma breve biografia sua.

Meu nome é Antônio Ivo Soares Fernandes, nascido em Fortaleza-CE. Desde a minha infância estou envolvido com a igreja cristã. Tive algumas experiências de conversão e as continuo tendo no decorrer destes anos. Lembro-me da primeira aos oito anos de idade, outra aos quinze, ano em que comecei a pregar. Na infância congregava em uma igreja Batista, batizei-me numa Assembléia de Deus, e depois tive, como pregador e professor, envolvimento com vários ministérios diferentes desde as igrejas pentecostais até as históricas. Atualmente sou mentor da estação do Caminho da Graça em Fortaleza. Sou casado com Janaína e tenho duas filhas, Ivna (9) e Cecília (1).

2) Qual o nome de seu ministério?

Pertenço a um movimento chamado Caminho da Graça, que tem o pastor Caio Fábio como mentor do processo.

3) Qual a principal linha teológica defendida?

Nosso movimento não tem uma linha teológica definida. Eu, enquanto indivíduo, possuo grande simpatia pelas teologias que não se encerram na arrogância de acabadas.

4) Em que assunto geralmente consiste o sermão?


Acredito que todo sermão precisa essencialmente ser cristocêntrico.

5) Qual seu conhecimento acadêmico?

Sou formado em teologia, com especialização em teologia contemporânea. Atualmente me especializo em pedagogia.

6) Tem alguma especialização ou conhecimento aprofundado em homilética? Comente.

Especialização não, mas tive uma boa experiência na graduação. Tive um professor dinâmico e criativo, que me fez ver a homilética com olhos de graça e me encantar pela pregação.

7) Qual a importância do curso teológico em sua opinião?

O curso de teologia é excelente para quem possui maturidade e uma base educacional. Claro que isso a associado às próprias metodologias de ensino. Sem essas coisas a teologia pode enganar o indivíduo com a pretensão de se sentir senhor da verdade.

8) Quanto tempo dedica para estudar a Bíblia?

Estudo a Bíblia todos os dias, pelo menos 3 horas diárias.

9) Como se utiliza do conhecimento histórico nas pregações?

O conhecimento histórico é uma excelente ferramenta para enriquecer a pregação, e para melhor facilitar o entendimento do texto bíblico e a devida aplicação contemporânea.

10)Concorda em fazer aplicações pessoais nas pregações? O que acha? Com que frequência realiza?

Concordo. Pessoalizar a pregação a deixa mais próxima dos ouvintes, porém é preciso cuidado, para não perder o foco da mensagem tornando-a apenas numa autobiografia.

11)Como vê a questão da relação entre o caráter do pregador e o púlpito?

O grande problema da sociedade cristã contemporânea é justamente a falta de caráter dos pregadores. Penso que a boa mensagem é aquela que antes de se manifestar em palavras é manifesta pela vida dos pregadores.

12)Qual a sua opinião sobre o caráter predominante dos pregadores nos dias de hoje?

Os pregadores de hoje em sua grande maioria possuem caráter duvidoso. Muitos apenas desejam vender a própria imagem. Pensam apenas em lucro. Não possuem amor sincero pelo Evangelho e nem pelas vidas humanas.

13)Em sua opinião, a pregação através de um homem que vive na prática contrária a Palavra, é eficaz e valida? O que acha?

Acho muito difícil um homem pregar o Evangelho de fato quando vive na contramão dele, mas supondo que pudesse pregar a Verdade mesmo agindo contrária a ela, acredito que fosse (a mensagem) poderosa para alcançar vidas.

14)É possível um pregador viver em paz consigo quando seus conceitos divergem muito da maioria?

Sim. Desde que suas convicções sejam produtos do refletir sincero sobre o Evangelho.

15)Como vê a pregação contemporânea?

Vejo que hoje seguimos três linhas bem evidentes, a que possuem sua base na teologia da prosperidade e outra que possui sua base nas confissões reformadas e a que busca tornar o Evangelho relevante para nossa geração. A primeira, vejo como adulteração da mensagem do Evangelho, a segunda vejo como infrutífera, a terceira vejo com desafiante para todo pregador que ama de fato a mensagem.

16)O que acha da quantidade de ministérios ou placas dentro de nosso estado hoje?

Lamentável. Visto que a maioria desses ministérios nasceu como fruto da ganância de alguns homens.

17)O que atribui aos frequentes escândalos no meio evangélico?

Falta de Evangelho genuíno. Cegueira do povo que não quer assumir uma atitude crítica. Impunidade.

18)Quanto ao louvor moderno, podemos acreditar que estamos realmente adorando a Deus, com esta diversidade de composições?

Não. Para mim o louvor moderno é apenas uma estratégia de venda e também de manipulação das mentes fracas que vivem a procura de ídolos para cultuarem.

19)Concorda com a obrigatoriedade do dízimo na igreja de hoje?

Não. Está em desacordo com o princípio do Evangelho.

20) Que mensagem deixaria para aproximar ao máximo o meio cristão do reino ideal, nos dias de hoje?

A mensagem é um chamado a conversão. A igreja cristã precisa converte-se ao Senhor da Vida e praticar os mandamentos e pregar o Evangelho. Quando essa geração de fato se converter, abandonando seus cultos-shows, seus cantores-pastores ídolos, suas manipulações e busca desenfreada por dinheiro; quando abrir mão dos legalismos sufocantes, das hierarquias esmagadoras, da futilidade cristã; aí poderemos começar a ver a manifestação do Reino.

A mensagem é a mesma: Arrependei-vos porque o Reino está entre nós e o machado está posto a raiz das árvores.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A teologia é inimiga da Fé?


Algumas pessoas argumentam como eu sendo professor de teologia consigo conviver com as duras críticas que o Caio Fábio faz a mesma, sendo eu mesmo participante do movimento que tem ele como mentor. E minha resposta quase sempre choca as pessoas, pois afirmo que concordo com o Caio, pois sei que ele dirige toda a sua crítica à teologia que se arroga o direito de senhora do saber, dona da Verdade. Porém, existe aquilo que podemos chamar de “boa teologia”.


A teologia pelo significado do termo é o estudo sobre Deus, porém ao termo “Deus” pode ser atribuído os mais variados sentidos. Desta forma não podemos falar de uma teologia, mas de teologias. E mais, por ser “Deus” em seus mais diferentes aspectos uma realidade da qual nenhum homem se esquiva podemos dizer que todo homem é um teólogo.


A diferença entre as teologias será mais de posição do que de apresentação, afinal todas, ou pelo menos a grande maioria proclama para si o direito de ser a única correta ou a melhor. Sendo assim para mim, a boa teologia será justamente aquela que não chamar para si tal direito. É aquela que está voltada para Deus como Senhor da Misericórdia, que alcança os homens independente de suas teologias.


A boa teologia, para mim, é aquela que tem somente por assunto as ações de Deus na história. Sim, as ações, porque Deus mesmo não pode ser coisificado, tornado idéia, princípio, conjunto de doutrinas. Deus é sempre maior do que nosso pensamento a respeito Dele e ainda sim Livre para Ser o que quiser até mesmo menor do que possamos pensá-lo.


A boa teologia é na verdade uma teantropologia, ou seja, o estudo do homem em relação a Deus.Diante de Deus toda teologia não passa de uma analogia humana. São especulações humanas, é uma resposta ante ao Mistério e não o Mistério em si, é uma palavra e não a Palavra. E toda boa teologia sabe isso de si, não arroga para si o título de autêntica, nem mesmo pensa interpretar legitimamente a Palavra, na verdade é justamente em sua fraqueza que a teologia confirma a Palavra e não em suas certezas.


A Palavra é Deus falando aos seres humanos quer esses ouçam ou não. A teologia é o homem falando. A Palavra é a Boa-Nova, a boa teologia é um anúncio da Boa-Nova e não a Boa-Nova mesmo. A Boa-Nova é a revelação de Deus como Pai e Senhor e do homem como criatura e filho. É da Aliança entre Deus e o homem que trata a Palavra, a boa teologia deve prestar serviço a essa Aliança.


A nossa salvação não repousa sobre um conjunto de teorias ou idéias, nem depende do nosso entendimento da “doutrina”. Não é a informação sobre Cristo que salva, mas a própria pessoa de Cristo. A boa teologia será aquela que consciente disso fará o que lhe impossível não fazer, refletir sobre a Fé. Na verdade, essa é a impossibilidade dos homens. Fomos criados como seres pensantes, ignorar isso é um desastre, porém a boa teologia sabe da limitação do pensamento humano.


O homem encontra-se com a Palavra e este fato inevitavelmente será interpretado. Foi da interpretação do encontro com o Cristo Vivo que nasceu a doutrina cristológica, e quem poderia dizer que ela não nos serve?


Quando Paulo afirma que Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:25), de igual modo está dando uma interpretação aos fatos da morte e ressurreição de Cristo. Isto é o que se vê em toda a Escritura, especialmente nas epístolas. Porém é o fato que deve está em evidência não a apresentação doutrinária do fato. Afinal o fato ganha sempre novas dimensões onde assim Deus aprouver, visto que Deus não está preso a nenhum grupo étnico, religião, tempo ou espaço.


A teologia será inimiga da fé todas às vezes que esquecer seu lugar de serva da Palavra que é Livre, mas lhe será útil todas às vezes que em sua limitação conduzir o home até o lugar onde tudo fica cativo a Cristo.


Ivo Fernandes

6 de agosto de 2009

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quarta-feira, 29 de julho de 2009

A Ética do Reino e a questão do pecado


Jesus Cristo é Deus Revelado, História Revelada e Homem Revelado. E como homem revelado é Nele que se manifesta o Homem Real. Daí, todo homem não conformado à imagem do Homem Real não ser Homem Pleno, resultando disto o Homem Pecado.

O homem pecado é o mesmo desintegrado da essência, é o homem em desarmonia, senhor de si - mesmo, é o homem que vive à margem do Real e por isso é filho da morte, escravo do pecado, filho do diabo.

Somente quando o homem pecado é exposto ao Homem Revelado e que O reconhece é que a conversão se processa. É no reconhecimento de quem não somos que está o arrependimento. Não há verdadeira metanóia sem a consciência da culpa essencial que só se manifesta ante o Homem Revelado. E isso é Graça, visto ser impossível ao homem pecado tal consciência ser gerada por si mesmo.

Pecado tratado apenas como ato é diminuição de fato do pecado. O pecado é o que sou, sendo o que faço apenas consequência natural do que sou. Sem confissão do pecado que sou eu não há conformação ao Homem Revelado.

Quando se mantém o foco no pecado-ato nasce à moral humana com seus meios de julgar os homens os separando em categorias. Todo juízo nasce da moral humana e toda moral nasce da diminuição do pecado em categorias-atos e não em existência-essencial. Quando reconhecemos o pecado que somos o meu pecado é o pecado de todos e o pecado de todos é o meu pecado.

Sem a confissão do pecado que sou, ficaremos presos nas polaridades dos juízos humanos. Por tudo isso é que se está dito que não há um justo sequer. Nada que o homem faça o justifica, seu estado é essencial e não acidental. Assim todo homem só está justificado em Cristo e jamais fora Dele.

Somos salvos pela Graça, mediante a fé, porque nossa salvação está num fundamento fora de nós. Só no Homem Revelado somos e estamos sendo salvos.

Ivo Fernandes
29 de julho de 2009

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terça-feira, 14 de julho de 2009

Deixei de ser evangélico


Há algumas semanas atrás alguém me falou que concordava com tudo que eu ensinava mais não gostava de eu não mais me denominar evangélico. Chegou a dizer que isso era uma mania do Caio seguida pelos seus discípulos. Lamentei por ver que alguém tão próximo nada sabe a meu respeito.

A verdade é que nem gostaria de estar mais escrevendo um texto sobre isso. Espero que em breve seja eu esquecido entre estes que insistem nos rótulos. Não deixei de ser evangélico de um momento pro outro. Meus diários são as provas desse meu caminho que há muito vinha trilhando em silêncio.

Não sou mais evangélico porque já não suporto ouvir as mensagens dos pregadores que representam este movimento. Nem abro mais os emails que me enviam com vídeos e notícias dos mesmos. De fato não quero mais saber.

Mas o fato de não ser mais pertencente a este movimento não é a negação do meu passado, e nem a afirmação de que Deus não é Senhor destes. Pelo contrário, continuo amando a minha história. Continuo lembrando com saudades dos tempos da minha infância e da igreja de bancos feitos de tronco de árvores. Lembro das lágrimas derramadas em consagrações pela manhã, dos louvores que até hoje canto, da oração sincera dos irmãos.

Porém hoje, e já não acredito que isso vá mudar, tudo é um grande mercado. Meu Deus! as músicas são pobres e muitas vezes atentam contra o espírito do Evangelho. Não suporto mais hinos de guerra ou de vitória certa.

Não consigo mais conviver com os “moralistas”, com os “fundamentalistas” que manipulam a vida das pessoas por meio do que eles chamam de sã doutrina. Não suporto mais ver almas sendo condenadas ao fogo do inferno por estes que praticam coisas bem piores do que aquilo pelo qual eles estão condenando as pessoas.

Deixar de ser evangélico não é negar a fé, antes é afirmá-la. Eu Creio no Deus de Amor revelado no Filho e na Salvação dos homens realizada Nele. Eu Creio no poder do Espírito Santo que distribui dons a fim que Sua Igreja seja edificada. Eu Creio na Ressurreição e na Vida Eterna.

Mas eu não creio na certeza dos homens. Não faço da minha teologia a minha fé. Não acredito na condenação por causa da informação. Não que creio que a salvação depende da informação. E sei que toda interpretação é relativa. Não creio na doutrina fundamentalista da inerrância das Escrituras. Não confundo Deus com textos.

Não posso mais viver tentando encaixar Deus nos meus moldes. Deus é livre. Já não consigo conviver com nada que não respeite essa liberdade de Deus. Também já não quero ouvir o deus-explicação. Quero andar por fé.

Deixei de ser evangélico por que quero andar com esse Deus que é livre. Quero me deliciar com Palavra esteja ela na bíblia ou nas músicas do Raul Seixas. Deixei de ser evangélico por que o deus muitas vezes apresentado não me encanta e na verdade nem me assusta. Não amo o deus que se parece com o pior da natureza humana.

Sigo feliz pelo Caminho. A cada dia é uma descoberta e a cada dia descubro que ainda não descobri nada. A cada dia é um mistério. A cada dia entendo mais que Deus está bem mais próximo do que podia imaginar. Ele está nos livros que leio, nas piadas que me fazem rir, nas músicas que me tocam, na oração silenciosa, e principalmente no próximo com quem me relaciono.

Deixei de ser evangélico, mas não deixei o Evangelho. E qual minha religião hoje? Caminho da Graça? Não! O Caminho da Graça é apenas um nome para minha caminhada individual e coletiva. Não é minha igreja, não é meu clube, não é minha religião, não é meu movimento. Jamais prenderei a minha alma. Hoje ela segue o Vento. E a fé que tenho, tenho para mim mesmo, mas se você quiser no Caminho eu conto.

Ivo Fernandes
14 de julho de 2009

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