domingo, 24 de junho de 2018

Meu caminho #1


Uma das orações mais constantes da minha vida foi pela busca do autocontrole, principalmente da fala. Na busca de ser sempre verdadeiro falei demais, e no muito falar sempre há danos.
Sei que ainda não cheguei no lugar que quero, e ainda não tenho a postura desejada, mas já melhorei muito. Sempre busco ponderar tudo que digo, para jamais falar ou agir contra a minha consciência e nem ofender alguém desnecessariamente.
Não sou adepto do “dane-se” ou do “foda-se”, não! O que busco é viver conforme o Evangelho. E essa busca é feita de atos diários. Eu sei no que creio e em Quem creio. Eu sei para onde estou indo, e onde desejo chegar.
Todos os que me leem, me ouvem ou me seguem sabem que meu caminho é feito de honestidade, inclusive com meus erros. Sei que essa honestidade nem sempre é bem recebida, pois na maioria das vezes esperam de nós mais do que podem esperar de si mesmo.
No entanto, não abandono esse caminho, pois foi na verdade e com a verdade que me salvei.
Aos que me amam peço que tenham paciência com meus processos, e não se esquivem de mim para saberem o que precisarem, pois estou à disposição de todos.
Sou apenas um homem de fé na luta de me tornar um homem melhor, ou em palavras que usamos no caminho, na busca de ser a melhor versão de mim mesmo, enquanto discípulo do Senhor!
Ivo Fernandes
24 de junho de 2018


sexta-feira, 22 de junho de 2018

O amor escandaloso de Deus


 

Leitura: Romanos 5

Ontem o sono insistia em não chegar. Estava tomado pela sensação do amor de Deus, e ela me consumia. Sentia uma vontade de gritar para toda a vizinhança – Deus nos ama de maneira escandalosa, perturbadora, chocante e contra qualquer lógica humana.

Sim! Queria dizer aos homens, mulheres, crianças, jovens, velhos, heterossexuais, homossexuais, transexuais, travestis, castos, profanos, normais, bizarros, pobres, ricos, casadas, prostitutas, vítimas e algozes. Deus ama a todos, porque todos são seus filhos, criados a sua imagem para louvor de sua glória.

Sim! Todos nós fomos criados para Ele e para seu louvor e não para qualquer danação ou inferno. Não foi ele quem nos destinou ao inferno, mas em nossa liberdade temos construído uma vida infernal, e tal vida não alegra o coração de Deus.

Sim! Ele nos deu a liberdade, e por ela nos temos experimentado o inferno. Mas Ele não permitiria que nosso estado eterno fosse o de danado. Por isso Cristo morreu pelos ímpios, e com isso os justificou! Aleluia!

Que escândalo pode ser maior que esse o de justificar o ímpio?! O Senhor não está justificando o que crer, o eleito, o salvo, o remido, o que busca a santidade, o que venceu, o que conseguiu, Ele justifica o ímpio.

Toda teologia da justificação não dá conta de abranger tamanho escândalo. E quem compreende pela fé tal justificação, tal amor escandaloso é tomado de uma paz que o mundo não conhece “...justificados, pois, mediante a fé, temos...”—não é teremos e nem tivemos—“...paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” já... “já passou da morte para a vida”.

O amor escandaloso de Deus crido e sentido arranca de nós todo medo, e instala em nós a certeza e a experiência de vida eterna. Sim, essa fé inclui-nos em Deus de tal modo que já não existe nenhum obstáculo, nenhuma separação em nós em relação a Deus, visto que o problema da reconciliação é só do homem, posto que Deus já se reconciliou com o mundo em Cristo Jesus.

Todas as vezes que meu coração se angustia na fraqueza e no pecado o Espírito grita em meu interior o maior dos absurdos – Deus me ama.

Abraão é chamado de pai da fé porque creu no absurdo. Abraão cria na loucura de Deus, porque sabia que a loucura de Deus era mais sábia do que a sabedoria dos homens.

O absurdo é crer que Jesus é o nosso salvador absoluto, e que seu sacrifício foi feito de uma vez e para sempre em favor de todos os homens. O absurdo é crer que já está consumado.

Sim! O escândalo é eu poder anunciar que eu estou justificado! Eu, que não tenho nenhum bem em mim, que carrego o pecado e a morte, eu que não tenho como me justificar, eu sou justificado. Estou coberto de minha nudez, chamado de justo e por isso posso andar em paz com Deus, com os homens e comigo mesmo.

Com meu corpo ainda me pego traindo a Verdade que interiormente não tenho como trair pois ela me consume. E sei que em breve a minha paz será completa, que por causa dessa terra terrestre ainda não é, mas o amor escandaloso de Deus me enche de esparrança que um dia esse meu corpo mortal se revestirá de imortalidade e então o pecado não mais existirá.

Por enquanto o amor escandoloso de Deus me permite ter a consciência da reconciliação, que sabe que todas as minhas dívidas foram pagas e cancelados. O pecado já não me separa de Deus, sua ira não me alcança, porque Cristo já sofreu todo castigo e toda ira sobre ele caiu.

A mim só cabe a fé, pois sem fé a salvação é como agua que corre mas nela eu não me banho, e por causa dessa certeza de total apaziguamento entre a minha alma e Deus, por causa da convicção total de que os meus débitos foram todos cancelados—Sim! Por causa disso tudo, eu posso entrar com cara limpa para além de todos os véus que já foram rasgados por Jesus. De modo que em Cristo, eu tenho acesso, com intrepidez, a essa graça na qual eu agora estou FIRME. Agora, isso produz um sentimento de glória na gente que transcenda o tempo, o espaço, o imediato, .

Sem essa fé no amor escadoloso de Deus vivemos em amgústias, medos, culpas tentando tratar essas coisas nos altares religiosos, barganhado com divindades que nada podem. Mas quem crer no amor escandaloso de Deus não se detém nas fatalidades pois já passou da morte para a vida. Já estamos assentados nas regiões celestiais em Cristo.

O mal perdeu o seu poder de nos destruir. Sem Cristo, todas as coisas fazem mal. Nele, todas as coisas cooperam para o bem.

A mediação de Jesus finalizou todas as coisas em nosso favor. Portanto, por mais que a vida se torne difícil e estranha e conturbada, saiba que Aquele que amou antes de você amá-lo, Aquele que se reconciliou com antes de você aceitar a reconciliação, Aquele que estabeleceu paz em seu favor antes de você querer pacificação, Aquele que morreu por você sendo você ainda pecador—é Esse mesmo que agora dá todas as garantias para você de que se Ele lhe fez o bem quando você não queria o bem, quanto mais agora que você quer o bem; por que o bem não será seu?

Porque Deus prova o Seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Porque pudera ser que alguém se anime a morrer pelo homem bom e pelo homem justo. Talvez. Mas quem é que vai dar a sua vida pelo ímpio e pelo iníquo? Cristo, no entanto, fez isso por nós antes da fundação do mundo.

Apesar de toda a minha relatividade presente, eu sei quem eu sou em Cristo. Isso me põe no caminho da vida como ela é, sabendo que todas as coisas estão contribuindo para construir consciência, fé, dependência, doçura. Todas as coisas estão acontecendo para que a minha vida seja um choque na existência, no absurdo, na desgraça, seja o ensino de sabedoria aos principados e potestades, seja perplexidade para anjos. Esse é o caminho que você está tendo a chance de percorrer, um caminho que torna anjos perplexos.

Ivo Fernandes
10 de junho de 2018
Os textos em itálicos são de Caio Fábio

domingo, 13 de maio de 2018

A COMUNHÃO COM A VERDADE



O filósofo Nietzsche trouxe a seguinte questão: “Quanta verdade eu consigo suportar?

Para responder isso precisamos compreender a Verdade, não a minha verdade, não a verdade de uma doutrina, mas a Verdade enquanto a tal.

O que é a Verdade? É aquilo que É e não pode não-ser. O que não pode nada contra. O que não depende do olhar alheio e nem dos juízos individuais. É o que é e o que vem a ser, pois nada lhe contraria e nem lhe destrói.

Ora, daí perguntamos: E a Verdade existe? Sim! E nós a enxergamos no Cristo.

Cristo é chamado de "fiel e verdadeiro" (Apc.19.11); Ele mesmo disse: "Eu sou a verdade" (Jo 14.6). De acordo com Apocalipse 3.14, seu testemunho é fiel e verdadeiro (cf. Jo 8.14); suas palavras são fiéis e verdadeiras (Apc. 19,9; 21,5; 22,6); seus julgamentos e seus caminhos são justos e verdadeiros (Apc. 16,7; 19,2; cf 15,3; Jo 8,16). Nem em sua pessoa, nem em suas palavras, nem em sua ação - em tudo o que ele era - havia absolutamente nada falso (1P 2.22).

O Deus que servimos "ama a verdade no íntimo" (Sl 51.6; cf 26.2). E a Verdade não pode admitir o engano. E aqui nós entramos.

Temos comunhão com Deus? Temos comunhão com Cristo? Temos comunhão com a Verdade?

O salmista nos revela que um dos requisitos para ver Deus é "andar em integridade, fazer justiça e falar a verdade em seu coração" (Sl 15.2).

E aí a pergunta nos chega: Amamos a Deus? Ou apenas buscamos recompensas?! Temos comunhão com Ele, ou apenas o servimos por medo de ser punidos? Nosso desejo é Ele ou a glória do título de sermos pessoas de fé?

Isso me lembra Kierkegaard, quando diz "a eternidade não está à venda" (p.126 Temor e Tremor). O preço da veracidade pura é o total e completo compromisso (capítulo 8).

Não há dúvida de que vivemos uma crise da verdade. Ninguém acredita mais nos outros, em todos on níveis do político ao pessoal. Sentimos que pode haver engano por todas as partes. A igreja há muito perdeu sua credibilidade.

Mas mesmo diante de um quadro de crise, ainda nós, os chamados cristãos temos dito que o Evangelho é a Verdade. Mas SE O EVANGELHO É VERDADE, POR QUE ELE NÃO É REFERÊNCIA DAS SUAS ESCOLHAS?

Para pensar na questão a poesia de Drummond pode nos ajudar:

A verdade em metades
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas eram totalmente bela.
E carecia optar.
Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


O que a poesia nos revela sobre nós e nossa relação com a Verdade?

Não é possível chegar a Verdade enquanto tivermos discutindo nossas verdades. Não há Verdade sem Comunhão. Sem a verdade do outro a minha não passa de uma ilusão. A Verdade a gente descobre no Amor. Por isso mesmo que Jesus enquanto pessoa disse ser a Verdade, para nos mostrar que com a Verdade temos uma relação e não somente um entendimento. Qualquer um que tiver disputando a verdade em detrimento da relação é um mentiroso, conforme 1 Jo 2.

A Verdade não está livros, em doutrinas ou ideias, ela está pulsando dentro do próximo. Enquanto não nos envolvermos com esse próximo seremos feitos de meias-verdades e meias-verdades é ilusão.

O que você prefere ideias ou relações? Conceitos ou pessoas?

Voltando a pergunta inicial, quanto de verdade eu posso suportar? Posso suportar o outro? 

Posso amar a Deus? Uma resposta responde todas, pois não se ama a Deus se não se ama o próximo, e só se conhece a Verdade na Comunhão.

Ivo Fernandes
6 de maio de 2018


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Jesus, o príncipe que decidiu ser amado em vez de temido



Todas as vezes que estou dando aula sobre Maquiavel não tem como não me inclinar a concordar com sua reflexão política sobre a ética do príncipe diante da sua visão do homem. E quando comento com os meus alunos, a concordância é geral. Vejamos, Maquiavel, autor de “o príncipe” disse:

“Vale mais ser amado ou temido (na chefia)? O ideal é ser as duas coisas, mas como é difícil reunir as duas coisas, é muito mais seguro - quando uma delas tiver que faltar - ser temido do que amado. Porque, dos homens em geral, se pode dizer o seguinte: que são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, fugidios ao perigo, ávidos do ganho. E enquanto lhes fazeis bem, são todos vossos e oferecem-vos a família, os bens pessoais, a vida, os descendentes, desde que a necessidade esteja bem longe. Mas quando ela se avizinha, contra vós se revoltam. E aquele príncipe que tiver confiado naquelas promessas, como fundamento do seu poder, encontrando-se desprovido de outras precauções, está perdido. É que as amizades que se adquirem através das riquezas, e não com grandeza e nobreza de carácter, compram-se, mas não se pode contar com elas nos momentos de adversidade. Os homens sentem menos inibição em ofender alguém que se faça amar do que outro que se faça temer, porque a amizade implica um vínculo de obrigações, o qual, devido à maldade dos homens, em qualquer altura se rompe, conforme as conveniências. O temor, por seu turno, implica o medo de uma punição, que nunca mais se extingue. No entanto, o príncipe deve fazer-se temer, de modo que, senão conseguir obter a estima, também não concite o ódio.” (Nicolo Maquiavel, in 'O Príncipe')

Percebemos que a lógica da preferência por ser temido está na condição do homem. Não se pode amar quem é dado a dissimulação. Numa linguagem bíblica, não se pode amar o pecador.

E aqui está a grandeza da Graça, pois as escrituras, não aliviam a condição do homem. Vejamos o que diz em Romanos 3

10Como está escrito: “Não há nenhum justo, nem ao menos um; 11não há uma só pessoa que entenda, ninguém que de fato busque a Deus. 12Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que pratique o bem, não existe uma só pessoa. …”

Sim, o homem não é digno de confiança, não é digno do amor. Mas diferentes das recompensas da lei, o amor não é uma recompensa.
E como pode então, Cristo ter-nos amado? Penso que a melhor a resposta foi dada por Lutero “O amor de Deus não se destina ao que vale a pena ser amado, mas cria o que vale a pena ser amado”.  Há uma expressão em Apocalipse 21, que traduz bem isso:

“…4Ele lhes enxugará dos olhos toda a lágrima; não haverá mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor, porquanto a antiga ordem está encerrada!” 5E Aquele que está assentado no trono afirmou: “Eis que faço novas todas as coisas!” E acrescentou: “Escreve isto, pois estas palavras são verdadeiras e absolutamente dignas de confiança”. 6E declarou-me ainda: “Tudo está realizado! Eu Sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A todos quantos tiverem sede lhes darei de beber graciosamente da fonte da Água da Vida.”

O amor de Cristo está fundamentado no poder de fazer nova todas as coisas. E por isso Nele o pecador se reveste de outra identidade.

17Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas antigas já passaram, eis que tudo se fez novo!” (2Co 5)

Jesus, o príncipe de Deus inverteu a lógica do mundo, deixou toda possibilidade de ser temido, preferiu ser amado.

“…6o qual, tendo plenamente a natureza de Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, 7mas, pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo plenamente a forma de servo e tornando-se semelhante aos seres humanos.8Assim, na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz. …” (Fp 2)

Na relação com seus discípulos, ele claramente modificou a relação padrão.

15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco. ” (Jo 15)

E os ensinou:

1Assim, pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo de Deus, em que partiria deste mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. 2Durante o final da ceia, quando já o Diabo incutira no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que deveria trair a Jesus, 3e, sabendo Jesus que o Pai lhe outorgara poder sobre tudo o que existe, e que viera de Deus e estava retornando a Deus, 4levantou-se da mesa, tirou a capa e colocou uma toalha em volta da cintura.
5Em seguida, derramou água em uma bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha que estava em sua cintura. 6Aproximou-se de Simão Pedro, que lhe disse: “Senhor, vais me lavar os pés?” 7Respondeu-lhe Jesus: “O que faço agora, não podes compreender, todavia o compreenderás mais tarde.” 8Disse-lhe Pedro: “Senhor, jamais me lavarás os pés!” Ao que Jesus lhe advertiu: “Se Eu não lavar os teus pés, tu não terás parte comigo. ” 9Rogou-lhe Simão Pedro: “Senhor, lava não somente meus pés, mas também, as minhas mãos e a minha cabeça!” 10Explicou-lhe Jesus: “Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; o seu corpo já está completamente limpo. Vós também estais limpos, mas nem todos.” 11Pois Jesus sabia quem iria traí-lo, e por isso disse: “Nem todos vós estais limpos.”
12Após haver lavado os pés dos seus discípulos, tornou a vestir sua capa, voltou a sentar-se à mesa e lhes indagou: “Compreendeis o que vos fiz? 13Vós me chamais ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e estais certos, pois Eu, de fato, o sou. 14Dessa maneira, se de vós Eu Sou Senhor e Mestre e ainda assim vos lavei os pés, igualmente vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos um exemplo para que, como Eu vos fiz, também vós o façais. 16Em verdade, em verdade vos afirmo que nenhum escravo é maior do que seu senhor, como também nenhum enviado é maior do que aquele que o enviou. 17Portanto, se vós compreenderdes esse ensinamento e o praticardes, abençoados sereis. “ (Jo 13)

O que fez ele tomar essa decisão, preferir o amor ao temor? Será que tinha outra visão do homem? Não. Ele sabia dos limites de nosso ser. A diferença entre ele e o príncipe de Maquiavel é que este não sabia ser o amor um poder na fraqueza. O temor pode gerar obediência, mas só o amor pode gerar consciência.

Apesar de todo o pecado da humanidade, o príncipe da paz viu em nós um potencial diferente do destrutivo tão perceptível por todos, viu nossa capacidade de amar e nisso ele investiu toda a sua vida.

E você o que prefere?

Ivo Fernandes
4 de fevereiro de 18


sábado, 3 de fevereiro de 2018

A comunhão para além dos muros de gênero



Leitura: Gálatas 3
“Nem homem, nem mulher”
A expressão em Gálatas “nem homem, nem mulher” sempre foi utilizada na teologia cristã apenas nas questões soteriológicas. Pois do ponto de vista social a igreja na maioria das vezes sempre manteve a clara distinção entre homens e mulheres.

Depois com a discussão feminista se tentou levar a reflexão em torno do termo, para o desmonte do esquema androcêntrico e machista. Hoje com a atual discussão de gênero tenta-se incluir nessas discussões questões que envolve o transgênero.

Mas afinal, o que podemos concluir de tal expressão? Ora, vamos partir do óbvio, o texto não faz referência a questão biológica. Pois em Cristo não está anulada a nossa condição biológica. Portanto nesse quesito, homens     e mulheres serão sempre diferentes, e não há razão da menor discussão em relação a isso. No entanto, homens e mulheres não são apenas condições biológicas, são também condições psicossociais. E aqui é onde a questão deve se concentrar.

Socialmente homens e mulheres sempre se mantiveram distintos por força do controle na maioria das vezes dos homens, reduzindo o papel e o valor das mulheres. E o fundamento de tal diferença sempre foi arbitrário. Hoje, a partir do ponto de vista das ciências sociais e da psicologia, principalmente, o gênero é entendido como aquilo que diferencia socialmente as pessoas, levando em consideração os padrões histórico-culturais atribuídos para os homens e mulheres. Por ser um papel social, o gênero pode ser construído e desconstruído, ou seja, pode ser entendido como algo mutável e não limitado, como define as ciências biológicas.

Portanto socialmente falando não é nossa condição biológica que nos define. Nossa identidade é construída a partir de condições sociais, é aqui que entra outras discussões como a questão transgênero.

Toda discussão que tomou as redes cristãs que se chamou ideologia de gênero nada mais é do que uma disputa social de poder entre as partes envolvidas. Não é uma discussão das condições biológicas, é uma discussão social que envolve funções, poder, lugar que se ocupa no interior de uma sociedade.
A manutenção, portanto, desse tipo de disputa é o contrário do que o Evangelho declara quando diz “nem homem, nem mulher”. A espiritualidade não está atrelada a questão do gênero. Nenhum homem tem mais autoridade espiritual do que a mulher pelo simples fato de ele ser homem. O que qualifica a espiritualidade é o amor, por isso se diz que o homem enquanto cabeça deve amar como Cristo Amou. Ora não é o gênero que o estabelece como cabeça, mas o amor.
Logo, a manutenção de uma hierarquia machista, ou a discussão de poder em torno do gênero não condizem com o Evangelho. A comunhão derruba esses muros e nos torna um só Nele.
Ivo Fernandes
28 de janeiro de 18


domingo, 28 de janeiro de 2018

A comunhão para além dos muros sociais



Leitura: Gálatas 3

“Nem escravo, nem livre”

Desde a invenção da propriedade privada e o consequente aparecimento das classes, que o mundo nunca mais vivenciou um tempo de igualdade social. Teologicamente podemos também atrelar isso ao pecado, uma vez que no mito edênico, depois da queda, os homens passam a lutar pelo direito de posse, e as diferenças são inauguradas.

Na contemporaneidade isso é fortíssimo, somos divididos pelo capital e seus subprodutos. Avaliamos e somos avaliados pelas condições socioeconômicas. E tudo está atrelado a isso, de nossa honra a nossa fé.

Porém, é claro no Evangelho que em Jesus as barreiras sociais devem ser derrubadas. E com isso não estamos falando de adotar algum regime político específico, como o socialismo por exemplo, mesmo que possamos afirmar que existem regimes menos evangélicos que outros. O Caminho de Jesus é um caminho de partilha, e isso não deve ser confundindo com o comunismo político.
A derrubada dos muros sociais não está, para o Evangelho, na tomada do Estado por uma classe, nem na luta armada, na verdade ela não começa de cima, dos locais do macro poder. No Evangelho essa mudança começa na base, partindo da consciência de cada caminhante que Deus ama a justiça. Desde a revelação no AT que percebemos o cuidado de Deus com os que não podem cuidar de si, ou que foram vítimas dos esquemas injustos do mundo. No NT por todo o ministério de Jesus vemos a mesma preocupação e a igreja primitiva também compreendeu essa missão.

Perceberam então a diferença? Não é um movimento político coletivo, mas uma consciência e prática individual, que evidentemente pode somar forças para produzir algo maior, que o Evangelho promove. No Evangelho não há um louvor da condição do pobre e nem uma demonização da condição social do rico. O que há é uma percepção de que os cuidados aos pobres devem ser prioridade no reino e que os ricos são chamados a responsabilidade nesse processo. O pobre exaltado é aquele que na sua condição em vez de desesperançar mantém sua fé Naquele de quem tudo depende. E o rico criticado é aquele que na sua condição, esquece dos bens espirituais e dos serviços de caridade. Não é exatamente a condição financeira que é discutida, mas a condição espiritual de cada um.

Há uma tensão entre uma abordagem da justiça social que é centrada em Deus e da que é centrada no homem. A abordagem centrada no homem vê o governo no papel de salvador, trazendo consigo uma utopia por meio de políticas governamentais. A abordagem centrada no Evangelho vê Cristo como Salvador, que restaurará todas as coisas e executará a justiça perfeita. Até então, os cristãos expressam o amor e a justiça de Deus ao mostrar bondade e misericórdia para com os menos afortunados, derrubando assim os muros sociais, e estabelecendo uma comunhão entre servos e livres, ricos e pobres, de maneira que não haja entre nós quem não tenha o que necessita para o bem.

Aconselho a leitura do livro de Tiago e a prática dos seus conselhos!

Ivo Fernandes
21 de janeiro de 18

sábado, 20 de janeiro de 2018

A comunhão para além dos muros da Religião


Leitura: Gálatas 3

“Nem judeu nem grego”

O Evangelho não é religião simplesmente porque não se limita por credos, crenças ou normas. A Bíblia, sim pode ser dita que possui orientações etnicistas cheia de conteúdos morais vinculados a certos grupos sociais, todavia o Evangelho nela contido é maior que as escrituras. A Bíblia é texto humano, o Evangelho é promessa divina.

O povo judeu segundo a carne se considera eleito em detrimento dos demais. O cristianismo herdou essa característica, mas o Evangelho não é elitista, e sim universal.

Os profetas sabiam dessa diferença, por isso enfrentaram os sacerdotes de seu tempo, anunciando a Luz para todas as nações. Jesus tinha essa consciência profética por isso em todo seu ministério não se limitou ao seu povo ou território.

Por todo o ministério de Jesus vemos que ele anunciou a graça a todos os povos, e reconheceu a fé em diferentes credos. Os discípulos entenderam a universalidade da Graça e se tornaram missionários pelo mundo. Entenderam que não é imundo aquilo que Deus santifica.

Portanto o evangelho não depende de nenhum contexto cultural ou religioso. Não há espaço para nenhum elitismo cristão.

A igreja é que na história destruiu culturas e promoveu perseguição a outras religiões. O Evangelho ao contrário atrai a todos! Quem tem o Evangelho não é um perseguidor e nem juiz do credo alheio. Todo preconceito é contrário ao Evangelho.

Em Cristo não há ...judeu nem grego...

Quem está em Cristo não tem preconceito. Se há preconceito não há entendimento do Evangelho.

O Evangelho derruba os muros da religião e estabelece a comunhão entre os povos!

Ivo Fernandes
14 de janeiro de 2018


Meu caminho #1

Uma das orações mais constantes da minha vida foi pela busca do autocontrole, principalmente da fala. Na busca de ser sempre verdadeiro...