terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sobre a crítica bíblica




Qualquer pessoa que leve a sério o estudo das escrituras não poderá mais se esquivar dos conteúdos das demais ciências, como arqueologia, história, sociologia, antropologia, etc.
Não podemos mais ler as escrituras de maneira mágica, esotérica ou como se o livro tivesse descido do céu, como que escrito pelo próprio dedo de Deus. Precisamos respeitar a história da transmissão textual, com toda a sua evolução.
O estudo da história e da crítica textual da bíblia se justifica, principalmente, pela perda de muitos dos códices, os “originais” dos autores. Atualmente, existem cerca de cinco mil manuscritos, sendo que perto de cinqüenta e três contêm todo o Novo Testamento. A situação do Novo Testamento é muito melhor que a de todos os escritores antigos. Da maioria deles temos manuscritos somente a partir do século IX d.C., e assim mesmo em número bem reduzido. Do Novo Testamento temos dezessete manuscritos do século IV e vinte e sete do século VI. Temos ainda citações encontradas em escritores do século II. Isso quer dizer que entre os originais e as cópias temos a distância de uns 300 anos apenas.
A crítica bíblica (textual, literária e histórica) não tem a intenção de negar o que está na Bíblia, mas sim de conduzir o pesquisador a uma observação mais acurada de seu conteúdo, das diversas traduções sofridas pelo texto, com o intuito de analisá-la sob o ponto de vista histórico, e não apenas  religioso.
Todos os que temem a crítica revelam a fragilidade de seus dogmas, fundamentados apenas na autoridade religiosa das instituições. Alardeiam que tal forma de estudo bíblico conduzirá o crente a negação da fé. Nada mais ridículo que isso. Toda análise textual tem um objetivo: tentar dirimir questões e incertezas.
Estudar criticamente a bíblia e suas traduções não é questionar a fé religiosa em seu conteúdo, mas aproximar o estudante da história e da cultura dos povos que produziram esta coletânea de livros. Não é questionamento da fé, mas dos processos que deram origem as formas da religião e seus códigos.
A bíblia como livro produzido na história por diversos autores humanos não está isenta de uma análise crítica-histórica, e só respeitando isso é que este livro nos servirá de maneira adulta e proveitosa.

Ivo Fernandes
9 de junho de 2010

2 comentários:

Natanael Tussini disse...

Quer dizer que defender o método histórico gramatical é ridiculo? Que conclusão profunda! O método que você defende é o maior causador de anomalias no meio da fé. Exemplos sobram, como Caio Fabio e Ricardo Gondim, hereges por profissão!

Ivo Fernandes disse...

Querido Natanael, não disse o que você concluiu, e não concordo com sua afirmação, os dois que você citou são para mim contribuidores para a sáude da fé cristã, mesmo que não concorde plenamente com cada pensamento dos mesmos.

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