segunda-feira, 11 de julho de 2016

Amizades reais em tempos virtuais


Quantos amigos temos? Os seguidores de nossas redes sociais são nossos amigos? O que define hoje uma real amizade?

Diante de meu conceito de amizade, cada dia mais vejo que amigo é uma coisa rara, visto que nos tempos de virtualidade dominante o que buscamos são pessoas que nos seguiam a partir de curtidas do que dizemos e fazemos, ou seja, de gente que jamais me incomode, que jamais me diga o contrário, ou que ouse discordar do que penso ou não gostar do que gosto.

Ora outro tipo de ‘amizade’ que surge é aquela que corresponde a nossas necessidades de atenção, se alguém não teclar comigo, não tiver interesse pelas minhas publicações, facilmente delatamos de nossa lista de amigos, afinal para que serve um amigo que não compartilha o que publico?!

Porem verdadeiras amizades não nasce de um contato virtual, mas de convivência real, onde os amigos possam trilhar vales, montanhas, experimentar alegrias e tristezas juntos.

O texto bíblico fala de uma amizade entre Davi e Jonatas. A amizade deles somente se mostrou amizade quando Jonatas, impedido pelo pai, Saul, que desejava matar Davi — contra tudo e todos, mesmo quieto e pacifico, permaneceu leal a Davi, sem que com isso traísse ou abandonasse seu pai; e demonstrou isso até o fim da vida; o mesmo acontecendo com Davi, que não apenas amou a Jonatas, mas expressou isso de modo imorredouro em sua poesia bíblia, como também, mediante o amor e a consideração que teve para com a descendência de Jonatas após a sua morte.

Amizade é, portanto, uma relação de confiança, lealdade e honra. Logo não existe verdadeira amizade onde não existem honradez. Ambientes de moralismo hipócrita não produzem verdadeiras amizades. Basta ver como os religiosos moralistas tratam os que fracassam, ou melhor são pegos em flagrante delito.

São amigos de conveniência, são na verdade cumplices no engano e na perversão. Ao contrário desse modelo farisaico de amizade temos o modelo de Jesus, o amigo que dá sua vida pelos outros e não espera que os amigos deem a vida por ele, mas que tão somente continuem vivendo em coerência com os valores da amizade.

Jesus era leal aos seus amigos, todos eles, e buscava ajudar cada um em suas reais necessidades. Foi amigo do tolo que em sua tolice queria se colocar como o mais importante entre os amigos, ensinado o caminho do servo. Foi amigo dos insensatos que prometiam o que não podiam cumprir, lhe perdoando as faltas e lhes dando novas chances. Foi amigo dos fracos que não conseguiram lhe acompanhar no momento de dor, não excluindo estes dos momentos de glória. Jesus é modelo do amigo que corrige, mas não humilha.

Verdadeiro amigo não tem sua amizade diminuída por causa da distância física. E a cada reencontro não há cobranças nem melindres. Verdadeiros amigos se amam. Logo tudo crê, tudo espera, tudo suporta e jamais acaba; enquanto não age nunca de modo inconveniente, não se exaspera, não se ressente do mal, não se alegra com a injustiça, antes, regozija-se com a verdade.

Dessa forma meu critério pessoal, hoje, de atribuir amizade a alguém, é muito simples: vejo quem se alegra com minhas alegrias, e chora com minhas dores. Se alguém não é capaz de celebrar minhas vitórias, esse não tem reais condições de uma amizade verdadeira. Os que se alegraram muito com minhas alegrias, são os mesmos que efetivamente estarão presentes em minhas tristezas; e sempre solidariamente me falaram a verdade. E recuso toda amizade moralista. O tipo de amigo que só o é se me comportar como ele deseja. Jesus disse que amar os que nos amam e tratar bem os que nos tratam bem é apenas um comportamento pagão, posto que é assim que qualquer pagão, minimamente, trata um ao outro. Jesus disse que deveríamos buscar amar e ser amigos do jeito do Pai Celeste, que é bom para com maus e bons, e derrama Graça sobre todos.

Eu tenho amigos, não é um milhão, mas são suficientes! Porém sempre é possível novas e verdadeiras amizades.

Ivo Fernandes
09 de julho de 16


(A parte em itálico é do site do Caio Fabio)

Nenhum comentário:

A justificação pela fé – uma exposição no Caminho

Leitura:  Romanos capítulos 1 a 3 A doutrina da justificação pela fé é um dos principais pilares da fé cristã, em especial a prote...