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Psicanálise das Relações: A Complexidade da Mentira e o Peso da Verdade em "Pedaço de Mim"

Divulgação oficial da série "Pedaço de Mim" (Netflix / A Fábrica, 2024). Em uma conversa de trabalho, minha amiga psicóloga Socorro apresentou-me a série Pedaço de Mim (criada e escrita por Ângela Chaves e lançada pela Netflix em parceria com A Fábrica em julho de 2024), sugerindo que a narrativa merecia um olhar analítico cuidadoso. A obra mergulha nas fraturas dos vínculos humanos, expondo os efeitos devastadores da mentira, da omissão e da verdade crua nos dramas familiares e no adoecimento psíquico. A partir desse encontro, proponho uma leitura psicanalítica sobre como o encobrimento e a revelação — quando desprovidos de mediação ética e temporalidade adequada — estruturam o sofrimento subjetivo e desorganizam o laço social. 1. A Mentira como Defesa Psíquica e o Trauma Não Simbolizado Na trama, a protagonista Liana (Juliana Paes) recorre ao segredo e à mentira como mecanismos defensivos para suportar uma sequência avassaladora de violências e fraturas narcísicas: o abuso ...

Ilha das Flores: Uma Leitura Filosófica, Teológica, Sociológica e Psicanalítica sobre a Coisificação do Humano

Cena do documentário "Ilha das Flores" (Jorge Furtado, 1989). Produção: Casa de Cinema de Porto Alegre. Este texto nasceu de um momento de inspiração compartilhado com minha parceira de vida. Após ela me apresentar o documentário Ilha das Flores e ouvir a abordagem crítica que desenvolvi em sala de aula, ficou impressionada com a profundidade e a originalidade dos temas suscitados. Sua reação me motivou a registrar essas reflexões de maneira estruturada e abrangente: reconhecendo o valor do debate pedagógico e ético, ela pesquisou sobre a obra e incentivou a escrita deste artigo. Deste encontro fecundo nasce a análise que agora apresento. Ilha das Flores, dirigido por Jorge Furtado em 1989, transcende a mera narrativa visual ao adotar uma linguagem pseudocientífica e enciclopédica para desvelar a crueldade implacável das relações econômicas capitalistas. Ao acompanhar a trajetória linear de um tomate — desde o cultivo até o descarte —, o curta-metragem ilumina as engrenagens ...

A Complexidade do Aborto e o PL 1904/2024: Punitivismo, Saúde Pública e a Escuta do Feminino

Francisco de Goya, "Vuelo de Brujas" (1798). Óleo sobre tela. Museu do Prado, Madri (Domínio Público).  Ao debruçar-me sobre a íntegra do Projeto de Lei nº 1904/2024 — que propõe equiparar a interrupção da gravidez após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio simples —, torna-se evidente a urgência de uma análise que ultrapasse o espetáculo político e alcance as raízes éticas, institucionais e psíquicas dessa proposição. Trata-se de um tema que mobiliza paixões e divide a sociedade civil e que, por essa mesma complexidade, exigiria maturidade democrática, rigor científico e ampla deliberação pública. Infelizmente, o que frequentemente testemunhamos no parlamento brasileiro é o sequestro de pautas sensíveis pela engrenagem eleitoreira e pela disputa rasteira de narrativas de poder. Como filósofo, educador, psicanalista e pesquisador dedicado à análise das políticas públicas e ao cuidado humano, é dever ético intervir diante desse cenário. Minha primeira crítica dirige-se ...

Poor Things: A Intersecção da Perversão, Identidade e Sociedade

Pôster oficial de "Poor Things" (Yorgos Lanthimos, 2023). Divulgação / Searchlight Pictures. Poor Things (Pobres Criaturas) é uma obra cinematográfica que articula uma crítica contundente à modernidade e às suas contradições através da história de Bella Baxter, que renasce com uma mente infantil em um corpo adulto após um suicídio. O filme explora profundamente temas como identidade, desejo, poder, moralidade e, particularmente, a perversão, enquadrados dentro de uma complexa estrutura psicanalítica. 1. Identidade e Transformação: Neurose, Perversão e a Morte de uma Cultura de Proibição A cena inicial do suicídio de Victoria em Poor Things é crucial para a compreensão do desenvolvimento temático e psicológico da obra. Este ato dramático não apenas marca a transição física de Victoria para Bella, mas também simboliza uma transformação profunda na identidade psíquica da personagem. No contexto psicanalítico, a neurose e a perversão são duas estruturas de funcionamento psíquico ...

A Falta Primordial e as Tramas do Ressentimento: Carência, Ingratidão e a Ética do Reconhecimento

Rembrandt van Rijn, "O Retorno do Filho Pródigo" (detalhe, 1669). Domínio Público. A reflexão sobre os vínculos humanos e suas fraturas é indispensável para compreendermos nossa condição existencial. A injustiça com que frequentemente tratamos os outros nasce, não raras vezes, de uma sensação de carência afetiva primordial: a fantasia inconsciente de não termos sido suficientemente amados, cuidados ou validados. Essa percepção de falta converte-se, por vias tortuosas, na raiz de comportamentos marcados por amargura, cobrança e ingratidão em relação àqueles que sustentaram nossa existência. A cegueira diante da realidade é um mecanismo de defesa comum. Quando somos capturados por nossas próprias feridas narcísicas, tornamo-nos incapazes de enxergar o outro como um sujeito limitado e real. Deixamos de reconhecer que a nossa sobrevivência psíquica e material quase sempre dependeu de renúncias, cuidados silenciosos e sacrifícios alheios. Projetamos sobre os que nos acolhem a cont...

A Religião dos Patifes e dos Estúpidos: Mercadores da Fé, Obscurantismo e a Defesa da Universidade

Rembrandt van Rijn, "Cristo Expulsando os Vendilhões do Templo" (1626). Domínio Público. O título deste artigo pode soar grosseiro à primeira vista, mas considerando a crítica real que ele propõe, não o é. No calor de uma indignação justa, tendemos a generalizações; aqui, contudo, trata-se de uma demarcação retórica e ética, não de um julgamento absoluto sobre toda experiência de fé. Sei que a religião não é composta apenas de patifes e estúpidos, caso contrário, eu mesmo precisaria me incluir nessa categoria, assim como tantas outras pessoas sérias que, nesse campo, prezam pela verdade, pelo bom senso, pelo rigor intelectual e pelo acolhimento humano. Aqueles que acompanham minha escrita sabem que tenho direcionado minha energia a outras áreas: à filosofia, à clínica psicanalítica, à gestão educacional e ao desenvolvimento de uma espiritualidade livre e conectada a diferentes formas de saber, contudo, como ser social e pensador público, não posso me calar diante de certos ab...

Half Man: A Tragédia da Incompletude entre a Má-Fé e a Pulsão de Morte

A série Half Man não é apenas uma narrativa sobre masculinidade, mas também é uma tragédia sobre sujeitos que jamais conseguiram habitar a própria existência. Richard Gadd constrói Ruben e Niall não como opostos, mas como duas respostas diferentes ao mesmo vazio: o de acreditar que há algo de essencialmente defeituoso em si. Ao longo de quase quarenta anos de história, a série acompanha como trauma, vergonha, desejo e silêncio se entrelaçam até tornar impossível distinguir onde termina o amor e começa a destruição. Do ponto de vista psicanalítico, a obra é uma grande reflexão sobre o retorno do recalcado. Freud afirmava que aquilo que não encontra representação simbólica retorna sob outras formas: sintoma, compulsão, violência ou repetição. É exatamente isso que vemos acontecer. Nem Ruben nem Niall conseguem sustentar um encontro verdadeiro com seus próprios desejos. Ambos constroem uma identidade em torno de um ideal impossível de masculinidade. Um transforma sua dor em agressividade,...

A mulher e o mendigo, e a pobreza de nossas almas

Desde o primeiro momento em que vi o vídeo que circulou na internet, naquele instante apenas sobre uma possível traição conjugal, quis falar sobre o assunto, por diversas razões e questões que essa história desperta. Quando vi, eu estava na academia, e um programa desses de fofoca noticiava o acontecimento. Como não seria diferente, cheio de sensacionalismo, com foco na traição e no ato de um marido “que levou cifre” estar indignado.  A primeira coisa que me veio à mente foi a questão da exposição pública, que hoje, com a força das redes sociais e da internet, faz com que todos sejamos todos vítimas e algozes desse processo cruel. Depois a história com um tom de humor, afinal brasileiro “não perde a piada”, e “é pra isso que a gente paga a internet”. E, por alguns momentos, eu também ri da situação. O nosso humor esconde muita coisa sobre nós.  A segunda questão que me tomou, e quase sempre me toma, é perceber a hipocrisia dos comentadores de plantão. Como é danoso para minha ...

Deus está distraído?

Assisti o filme “O Bombardeio” (2021), do diretor dinamarquês Ole Bornedal, e ele já entrou para a lista dos filmes que me emocionam pela qualidade da produção, atuação, direção, mas acima de tudo por me fazer pensar e sentir. Sobre o que ele me fez pensar? Sobre a guerra, a humanidade, Deus e nossa frágil, porém insistente, esperança e fé. A frase que para mim faz elo é dita pela noviça Teresa... “Deus nunca dorme, mas pode se distrair” e no fim, por Rigmor, com a pergunta: “Deus deixou um lápis cair?”, pois, diante dos horrores da guerra, como manter a crença? A mera atribuição de culpa ao homem, como única explicação para tamanha miséria nunca me foi suficiente. No fundo eu nunca acreditei nas explicações que boa parte da teologia me deu. Como Teresa, sempre me vi entre a vocação e as questões filosóficas que espreitavam minhas crenças.  Coincidentemente, no dia anterior, numa conversa sobre o suicídio com alunos, depois de alguns relatos, uma aluna me perguntou se eu acreditava...

O que quer a mulher?

O que é a mulher? A mulher existe? Qual sua origem? Toda redução das questões envolvidas nas perguntas anteriores é um prejuízo para todos nós.  A psicanálise não se omitiu da questão. Freud não se omitiu, mesmo não conseguindo atravessar a barreira de si mesmo rumo àquilo que ela chamava de continente negro. Ele partiu da máxima que “não se nasce mulher nem homem, mas nos tornamos um ou outro”, quão revolucionária foi essa questão. É a partir dela que podemos tentar desconstruir a figura universal e abstrata de A Mulher, que nada mais é que “um conjunto de imagens e representações que tentam produzir uma identidade para todas as mulheres sem alcançar nenhuma delas em sua singularidade”.  Para entendermos as questões se faz necessário o mergulho na história do conceito, e suas produções de feitos no percurso histórico. Quem é a mulher da história? Quem é a mulher em cada momento histórico? Ser uma mulher é o mesmo que ser A Mulher?  A psicanálise foi fundada pelas mulhere...

“Eu estou sendo eu mesmo”

Uma das frases mais repetidas em ‘reality shows’ é  - eu estou sendo eu mesmo. E aqui está uma questão que torna programas assim tão interessantes para quem deseja dele extrair uma reflexão psicanalítica.   Lacan nos disse “a verdade tem uma estrutura de ficção”. A verdade de quem somos manifesta num programa televiso é como tudo em nosso tempo líquido. As coisas são, mas não mais como um ser, e sim como um menos de ser, tal qual café descafeinado, é café, mas não é café. Dessa forma, as pessoas participam de uma ficção onde elas representam a si mesmas.   As pessoas nos reality shows são elas mesmos como menos de ser, o que vemos é ficção de cada pessoa. Podemos dizer, assim, que cada um que vive tal experiência representa a si mesmo, fazendo-nos achar que estão sendo eles mesmos, ignorando que estão representando.   Mas isso não é só para quem está nos tais programas, isso é sobre todos nós, e aqueles que acham que não representam a si mesmos numa const...

Por que dizer não à formação universitária em psicanálise?

  Por que dizer não à formação universitária em psicanálise? Porque nada na psicanálise é estável ou universal. Nem um dos seus temas cabe no discurso universitário. Psicanálise só é possível na clínica e na transmissão pela reflexão e pesquisa contínua. Como levar o divã para a sala de aula? Como determinar o período de análise necessário? Já bastam as várias escolas psicanalíticas que transformaram a psicanálise em curso que pode ser certificado, colocando a análise pessoal dentro de um número e não no correto exercício analítico. Eu amo psicanálise como amo filosofia por uma mesma razão, elas nascem da questão posta em mim, por mim e para mim. Não há transmissão da psicanálise sem análise pessoal. O território psicanalítico não é médico, nem pastoral, nem universitário. A psicanálise opera no campo das questões, e diferente da filosofia não é uma busca de autoconhecimento, mas uma busca do não saber, aí onde somos. De Freud a Lacan, vimos que a psicanálise lida com o q...

Natal 2021

Escrever sobre o Natal de 2021 foi um desafio, diferente de muitos anos anteriores não havia em mim vontade de tratar nenhuma temática teológica, mas aí lembrei que, na verdade, nunca tratei o Natal assim. Em mim o Natal é uma questão de fé, e não de crença. E o que isso significa? Significa que ela não precisa fazer sentido, não precisa ser aceita, não precisa ser crida. Ela tem apenas que calar a questão, encerrar a pergunta e fazer o ser saber sem conhecimento algum. Loucura? Talvez! A fé é o absurdo dos absurdos! Nos últimos anos, algo que sempre em mim esteve presente ganhou forma e realidade, o fato de que sou um homem de fé firme e constante, mas de crenças móveis abertas a toda revisão e até ao abandono. Não me importo em rejeitar crenças, pois em mim a fé é a força que me move. Quanto ao Natal, minha crença pouco mudou, mas se fosse explicá-la aqui seria em muitos aspectos diferentes de muitos cristãos. Por exemplo, não sinto necessidade do evento do Natal ser um evento ...

Alice, seus encantos e mistérios

  Quem não conhece a história de Alice no país das maravilhas, mesmo que nunca tenha lido?! A grande questão é o que faz dessa obra uma das mais lidas e comentadas, ao lado da bíblia e de Shakespeare?   Escrita por Charles Lutwidge Dodgson, pseudônimo de Lewis Carroll, que nasceu em 27 de janeiro de 1832, na Inglaterra, e faleceu em 14 de janeiro de 1898. Um poeta, romancista e matemático, que, apesar de sua brilhante inteligência, carregava o peso de um corpo frágil.   Lewis Carroll, segundo seus biógrafos era um cristão devoto e praticante, e, no entanto, via-se como um pecador contumaz. Nunca se casou ou teve filhos e se alegrava muito com as amizades de crianças do sexo feminino, o que cerca até hoje o escritor com sombras a respeito dessas amizades.   O fato é que ele gostava de crianças e crianças gostavam dele. De acordo com suas biografias, o que concluo é que Lewis apreciava o belo e via na criança, especialmente do sexo feminino, o apontamento...

SER professor

Da série: Diário de um professor Hoje, 30 de setembro de 2021, dei minha primeira aula presencial como professor da rede estadual de ensino do Estado do Ceará, e aquilo que é próprio à minha pessoa e ao meu ofício ocorreu, um jogo transferencial de afetos. De um lado, um grupo de jovens visivelmente necessitados de elementos que eles nem sabem o que, do outro um professor que tem na alma o desejo de servir.  Pois bem, tratava-se de uma turma de terceiro ano, o que vi e ouvi daqueles jovens foram afirmações de impossibilidades e de “não saber”. Poucos projetos, poucos planos. Pensei, então, na diferença da realidade social entre os alunos daquela turma e de tantas outras, onde lecionei, nas escolas particulares.  Fiz uma pergunta: Quantos aqui desejam ou vão fazer o ENEM, apenas um respondeu positivamente e de maneira muito tímida. Os outros carregavam a afirmação de uma aluna que em uma aula anterior me disse que não faria porque não tinha condições de passar; acompanhada de o...

O Natal de 2020

Basta um procurar em meus textos pela palavra Natal que logo descobrirão que amo essa data. Consigo dar sentido a tudo que envolve essa celebração, mas nesse ano todos fomos desafiados a dar um novo sentido a esse momento, visto estarmos cercados de tantos acontecimentos difíceis e sentimentos confusos. A pandemia mexeu com nossa relação com o tempo, estamos chegando ao fim do ano, mas nossa mente não parece ainda ter processado esse acontecimento. O ano de 2020 ficará, na história de cada um de nós, como o ano em que fomos obrigados a pararmos, a nos isolarmos e a dependermos cada vez mais daqueles que estavam mais próximos. Porém, nem todos conseguiram retirar lições desse tempo, e então chegou o Natal. O que o Natal de 2020 tem em comum com o primeiro Natal, aquele em o menino Jesus nasceu? O mundo em que Jesus nasceu não era tão diferente assim do nosso, havia muita corrupção, desigualdade social, doenças, entre outras desgraças. Maria e José, pais de Jesus, eram pobres sujeitos ao...

O amor é como um sono

  O amor é um mistério, é como as archés dos antigos gregos, cada um encontrou uma explicação que cabia em sua experiência. De tanto falarmos do amor, aprendemos a dividi-lo em categorias para buscar entendê-lo. Falamos de amor romântico, materno, fraterno, divino. Encontramos palavras para designar cada tipo de amor. Platão, por meio do personagem Sócrates, foi quem nos trouxe a ideia do amor como busca do que falta. E o que nos falta? Eis a questão! Sobre a falta se debruçou Freud e todos os demais psicanalistas. O amor nos poetas vai da graça ao sofrimento, da alegria ao lamento, da felicidade ao sofrer. E afinal o que é o amor? O amor é como um sono do qual somos obrigados a acordar, mas ao qual estamos fadados a ele retornar para que possamos nos manter acordados. Quem busca ter o amor o tempo todo não o suportará. Quem busca dele se livrar não conseguirá. O amor, seja lá de que tipo for, é a condição fundamental da existência, é a força que nos move. E todo moviment...

Clínica de Psicanálise

Minha clínica é pautada na perspectiva freudiana-winnicottiana, em que a psicanálise não é para todos, e nem para todos os momentos, e sim para quem necessita, deseja e pode suportá-la.  Com isso não estou rejeitando os que não são para a psicanálise, pois não sou tão ortodoxo assim. Algumas vezes trabalho de uma outra forma, até mesmo para tornar o trabalho analítico possível, sem que isso me desloque do meu ofício e sem que isso faça com que eu deixe de ser psicanalista. Então, todas as vezes que me procurar, irá encontrar um analista dedicado ao seu caso, que procurará entender como você se sente, estabelecendo uma relação de confiança pautada na responsabilidade profissional, e tolerando toda produção transferencial, ciente de que, por meio desse processo, é que posso ajudar você a lidar com todo o seu sofrimento na busca do seu bem-estar e desenvolver o fortalecimento da sua consciência. Se considerar que posso ajudá-lo ou ajudá-la, entre em contato para marca...

Repensando o autoconhecimento

Autoconhecimento é uma palavra popular, está na moda. Todos parecem interessados nela. Buscam o autoconhecimento por todos os lugares, dos quiz na internet até o horóscopo de jornal. As empresas, marcas, propagandas, igrejas, clubes, rodas, todos se apropriam dessa palavra. E isso poderia ser muito bom, se de fato fosse simples assim. Muito do que a gente vê por aí são estratégias de venda disfarçadas de psicologia. Essa é realmente a geração onde tudo virou um objeto de consumo. Tudo se pode comprar ou instagramear. A palavra autoconhecimento é simples de entender, trata-se do conhecimento que o próprio sujeito adquire de si. O que não é simples é como isso se dá. E se isso é realmente possível. O que eu descobri nesses anos de terapia, tanto como analisando como analista, é que o autoconhecimento não se dá automaticamente, como resultado do tempo por exemplo. Aliás, idade não é garantia de sabedoria. Outra coisa é que, apesar de ser um conhecimento que eu desenvol...