sexta-feira, 10 de julho de 2015

Crônicas da Última Semana


Era um dia de domingo Jesus viaja de Betânia a Jerusalém, uma viagem de 3 km e ao final da tarde, volta para Betânia. Sim! Por toda essa semana ele retornará a Betânia. Em Jerusalém aquela que deveria ser a cidade do Rei ele encontra a religião e a corrupção dos homens, em Betânia, pequena cidade da Judéia, sem expressão política, econômica ou cultural, ele encontra paz de espírito entre os amigos.

Em Jerusalém entra como um morador de Betânia, sentando em seu jumento. E aqueles que o saúdam como rei não sabem o que desejam.

Na segunda-feira, de Betânia Jesus volta a Jerusalém. No caminho, amaldiçoa uma figueira, bela representação daquela cidade que não produzia mais frutos e nem matava a fome dos homens. Jerusalém - figueira, teus comércios religiosos negam o amor de Deus. Não és mais uma casa de oração, e sim um covil de ladrões. Ainda há alguém para ouvir a voz de Deus nesse lugar?

Na terça-feira prediz sua execução e no monte das oliveiras fala do tempo do fim. Na quarta-feira um de seus amigos, Judas é contratado para traí-lo, mas enquanto uns traem, outros amigos o ungem em Betânia. E diante de um mundo confuso e perdido o Mestre chora e lamenta pelos homens.

Na quinta-feira ele faz mais uma vez o que foi sua rotina nesta semana, reúne os amigos em torno de uma Ceia em Betânia, seria sua última páscoa e a primeira das ceias dos que professam seu nome. E nesta ceia Ele lava os pés de seus discípulos. Sim, o Senhor faz o convite, e mesmo Senhor recebe os convidados na posição de servo deles. Sua mensagem se concretiza naquele ato – se sou mestre e lavo os vossos pés, que não deveis fazer uns pelos outros? E da força da amizade segue para seus piores momentos de dor. Dirige-se ao jardim do Getsêmani.

Seu sofrimento era imenso, seu suor virado sangue, o mesmo que serviria como símbolo eterno da redenção dos homens. O médico ferido e sua vigília de dor. Quem pode acompanha-lo? Quem pode vigiar com ele? É sozinho que enfrentará a morte, e sozinho tornar-se-á o salvador de todos os homens.

Já é sexta-feira e o Mestre espera por sua prisão. E com um beijo traído, com outro beijo abençoa. Afinal não foi Ele quem ensinou a dar a outra face, a orar pelos que perseguem e amar os inimigos?

Assim é julgado, amarrado pelas costas, passa por um julgamento preliminar diante de Anás (ex-sumo-sacerdote e sogro do então sumo-sacerdote José Caifás), levado por um grupo de funcionários do templo e de soldados romanos. Lá é torturado fisicamente. Depois passa pelo segundo julgamento diante de Caifás (genro de Anás) e da Corte do Sinédrio, a mais alta dos judeus, formada por sacerdotes, líderes, fariseus e escribas. O Mestre ensanguentado, flagelado diante do tribunal corrupto dos homens que dizem representar Deus.

Um interrogatório que não busca a Verdade. Aliás quem deseja a Verdade? Prenderam a verdade no palácio do representante de Deus. E longe da verdade reinava a injustiça e o ódio. E no terceiro julgamento sai a decisão para matar a verdade.

Diante de Pilatos a verdade está. Será ele que dará ouvidos a ela? Não! Prefere lavar as mãos nas aguas sujas dos interesses. Assim Jesus é conduzido para o quinto julgamento. Este julgamento se dá por Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, que tinha jurisdição sobre a Galiléia. Jesus se recusa a responder a qualquer questão e é devolvido rapidamente a Pilatos. 

A verdade se cala onde ninguém a deseja.

Jesus passa pelo sexto julgamento. Pilatos, não vendo crime digno de morte, tenta repetidamente libertar o acusado, mas os líderes judeus não aceitam. Pilatos, então, manda que Jesus seja açoitado, talvez para aplacar a fúria dos que pediam pela crucificação. 
(O açoitamento era executado com um chicote chamado flagelo, feito de couro de várias dobras, nas pontas das quais eram afixados bolinhas de metal, ossos de carneiro e outros objetos pendurados nas pontas. Os soldados, que se revezavam, ficavam em pé. O prisioneiro era curvado e preso a um objeto fixo, com as costas nuas voltadas para os soldados com o açoite na mão. Cada golpe atingia as costas, os braços, os ombros, as pernas e as panturrilhas. "Os pedaços de metal penetravam na carne, rasgando vasos sanguíneos, nervos, músculos e a pele". É possível que flagelação causara em Jesus sérios danos.
Jesus comparece ao Pretório. Soldados de Pilatos pegam Jesus no tribunal e se divertem com Ele, torturando-o e colocando uma coroa de espinhos na Sua cabeça. Os soldados, como uma forma de diversão, puseram nas mãos de Jesus um falso cetro de graveto, passaram por Ele, ajoelhando-se debochadamente, cuspiram nele, tiraram o cetro de Suas mãos e bateram com Ele em Sua coroa de espinhos e em Seu rosto, que ficou machucado.


Jesus é forçado a carregar Sua própria cruz para a crucificação no Calvário. O centurião e os soldados colocam a cruz sobre os ombros do condenado. Ele a carrega sozinho ladeira acima, e depois com a ajuda de um transeunte Simão de Cirene. O que pensavam esses dois homens naquele instante?

Jesus chega ao lugar de Sua execução: o Calvário e ao meio dia é pregado na cruz. É possível medir sua dor? E em meio a tudo lá estava a verdade calada, até ouvir-se o som "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? ”. E do grito de abandono segue-se a consumação de tudo. E às quinze horas daquele dia Jesus morre.

Acontece um terremoto. Soldados quebram as pernas dos outros crucificados, mas não as de Jesus, em vez disso furam seu corpo que é levado para ser enterrado no túmulo de José de Arimatéia. O que se fez pobre foi enterrado no túmulo do rico, e assim a porta estava aberta a todos os homens, ricos e pobres, homens e mulheres, aliás são elas que vão ao sepulcro na madrugada, sem medo, foram cuidar do corpo dAquele que lhes ensinara viver.

Sábado, o mestre está morto. E no dia do silêncio, fora da história, o mundo estava reconciliado com Deus. E isso seria revelado na manhã daquele domingo onde Jesus aparece a Maria Madalena. E assim como escolheu Betânia para ser seu lugar, escolhe a mais improvável das testemunhas. Depois aparece a dois seguidores no caminho para Emaús. Depois aparece a dez discípulos. E até aquele que não creu pode tocar nele.

Dias depois em Betânia se despede nos deixando a certeza de que tudo está consumado, que a Graça de Deus está sobre todo o universo, todo o mundo e todos os homens. E quem sabe um dia esse lugar dos amigos não vá se tornar a Terra do Rei!

Ivo Fernandes
1 de julho de 2015


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